Política

Após sair do PDT, para onde vai Pedro Taques?

Foto: José Medeiros / Gcom MT

Talvez nem as cartas de tarô ou o tabuleiro dos búzios consigam prever o futuro político do governador de Mato Grosso, Pedro Taques, que na última segunda-feira (10.08) entregou sua carta de desfiliação do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Dividido entre dois partidos, o político segue assediado, tornando-se a donzela mais cortejada da corte.

Diante de sua carreira política, que desde o Senado Federal se destaca pelo posicionamento oposicionista ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT), Taques é considerando um dos novos líderes políticos do país. 

De olho na visibilidade nacional do governador, PSDB e PSB tomaram a iniciativa e desde o início do mês de abril formalizaram convites para que o ex-pedetista integrasse suas siglas.

Demonstrando confiança, os tucanos, como o deputado estadual Wilson Santos (PSDB), garantem que Taques irá filiar-se à sigla. O parlamentar aposta que o perfil da gestão do governador é similar ao partido, o que faria com que ele se tornasse o mais novo politico no ninho.

“Creio que ele vá se filiar ao nosso partido. A gestão que ele [Taques] faz é tucana. Cumpre a responsabilidade fiscal com rigor, quer um Estado menor, transparente, respeita os princípios da administração pública. Adota uma postura de tucano”, declarou confiante.

Ao Circuito Mato Grosso, Wilson adiantou que a ida de Taques para a legenda é um desejo dos líderes do partido, como o senador Aécio Neves. Segundo o deputado, o líder tucano teria conversado por telefone com o governador na semana passada e espera a filiação do mato-grossense. Rebatendo as análises que apontam a possível dificuldade para que o gestor tenha espaço no PSDB, o parlamentar garantiu a participação na Executiva Nacional.

“Taques é muito jovem e já conseguiu destaque nacional. Terá uma carreira longa e combativa. No PSDB ele terá a possibilidade de se tornar uma grande liderança, como Aécio, Alckmin, Serra e Fernando Henrique Cardoso. Filiando-se ao nosso partido, ele já irá compor a cúpula nacional”, afirmou Wilson.

Outros líderes do PSDB, como o governador do Estado de Goiás, Marconi Perillo, afirmaram que os tucanos estão com a “casa arrumada” para receber Pedro Taques.

Se por um lado Taques mantém familiaridade com o jeito tucano de governar, por outro, no PSB, o governador pode acabar se tornando uma estrela solitária. 

Após a morte trágica do líder socialista, Eduardo Campos – em acidente aéreo no início da campanha eleitoral no ano passado – os socialistas se encamparam pela busca de um substituto à altura. Com a previsão de que Marina Silva – que assumiu o lugar de Campos na campanha presidencial, deixe o PSB após a formalização do novo partido ‘Rede’ –, o PSB procura um novo nome para disputar as eleições de 2018. A sigla aposta em filiações como a de Pedro Taques.

Em Cuiabá, as conversas são encabeçadas pelo prefeito Mauro Mendes, em plena preparação para as eleições municipais do ano que vem, mesmo que ainda não tenha confirmado a sua candidatura à reeleição. 

Nem tão confiante quanto os tucanos, Mauro aposta na sua história com Taques, já que são parceiros políticos desde as eleições de 2010 – quando ele foi derrotado na disputa pelo Governo do Estado e Taques eleito para o Senado.

Nas diversas vezes em que falou sobre os desejos do PSB, o prefeito garantiu respeitar o tempo e a possível decisão do governador e afirmou que a aliança continuará mesmo que Taques vá para o lado oposto, o PSDB.

“Vou torcer e trabalhar para que ele faça a opção pelo nosso partido, mas vou respeitá-lo. Companheiro que é companheiro sabe fazer política da maneira mais ampla e não olhando para o próprio umbigo”, garantiu Mendes durante entrevista a emissora regional, a TV Pantanal, na terça-feira (11.08).

Nesta semana, o prefeito ainda afirmou que não teme perder espaço para Taques no PSB e considera natural a liderança do governador, caso se filie ao partido.

“É normal que o governador, estando no seu partido ou não, seja a autoridade política mais relevante de qualquer Estado. Ele tem a autoridade do cargo. Mas, se não exercê-la na plenitude, com outros predicados também, não se mantém lá. Hoje em dia ninguém se mantém no cargo sendo um ditador. As relações são diferentes”, disse Mendes ao site Mídia News.

Sem a confirmação pelo próprio governador, o que resta são as especulações. O jornalista Leandro Mazinni, do portal UOL, chegou a confirmar a filiação de Taques ao PSDB. Na quarta-feira (12.08), a reportagem do profissional garantiu que o senador e presidente nacional da sigla, Aécio Neves, convenceu o político mato-grossense, com a promessa de colocá-lo na vice-presidência do partido.

Aécio, em entrevista à Rádio Capital FM, nesta quarta, afirmou não existir melhor lugar para o governador estar: “Existe uma profunda identidade do ponto de vista de valores, de ideias do que precisa ser feito na administração pública. Tenho certeza de que, para o PSDB, seria um ganho extraordinário. E, talvez, seja o local mais adequado para que Pedro Taques continue sua extraordinária trajetória”.

Escolha de Taques e a influência nas eleições

Além do espaço nacional desejado por Pedro Taques, o que também está em jogo são as eleições municipais de outubro de 2016. A escolha do governador pode, definitivamente, definir o cenário político do pleito eleitoral em Cuiabá.

Mesmo não confirmando sua candidatura, Mauro se vê como candidato natural do PSB para buscar seu segundo mandato no Palácio Alencastro. O apoio do governador é considerado essencial para viabilizar sua vitória, desde que ele não esteja filiado no PSDB.

Uma aliança entre os dois partidos é considerada complicada, mesmo que hoje Mauro Mendes tenha em sua base do governo os quatro vereadores tucanos da Câmara Municipal.

“Acima de tudo, muito mais que uma militância de partido, nós estamos juntos pelos mesmos ideais, de fazer política com seriedade”, afirmou Mendes em entrevista na terça-feira.

Porém, no PSDB a aliança com o socialista não é bem vista por alguns grupos. O deputado tucano, que disputou as eleições de 2008 e 2010 tendo Mauro como adversário, não gostou da adesão dos vereadores do PSDB à base de Mendes. Além de defender que o partido tenha candidatura própria nas eleições municipais do ano que vem, Wilson não quer nem pensar em um possível apoio à reeleição do prefeito.

Wilson teria até mesmo se articulado para vetar a possível aliança, participando do encontro nacional do PSDB no mês passado, para defender que o partido tenha candidatos próprios nos grandes colégios eleitorais, como o de Cuiabá.

Ao Circuito, o deputado afirmou que “essas propostas ainda não foram confrontadas, mas serão discutidas oportuna e exaustivamente”.

Quando sairá a decisão?

A expectativa é de que Pedro Taques anuncie seu novo partido logo na próxima semana – o político chegou a garantir isso na mídia, porém, se muitos estão com pressa, alguns defendem que o melhor seria esperar. O cientista político João Edisom de Souza afirma que a decisão neste momento pode ser prejudicial à gestão e vida política do governador. Em sua opinião, o ex-pedetista deveria aproveitar o momento em que é cortejado.

Na teoria do cientista, os conflitos envolvendo o cenário político nacional também influenciam no momento certo para fazer o anúncio. Quanto às eleições municipais, o melhor é se manter livre de amarras.

“Não precisa tomar essa decisão agora, pode esperar a eleição municipal. Não é um problema dele, é um problema do grupo político ao qual pertence. Enquanto ele estiver debutando, todos os pretendentes não vão querer brigar com ele. À medida que ele tomar uma decisão, pode gerar oposições. Se ele se posicionar agora, seria bom para o partido escolhido e não para ele”, argumentou João Edisom.

Taques tem uma boa folga para decidir o que será melhor para seu futuro político, já que ele só precisa, obrigatoriamente, decidir para que partido irá em 2017, se quiser concorrer às eleições de 2018, tendo em vista que é necessário um ano de adesão à nova legenda para estar apto ao pleito.

Confira detalhes da reportagem do Circuito Mato Grosso

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Política

Lista de 164 entidades impedidas de assinar convênios com o governo

Incluídas no Cadastro de Entidades Privadas sem Fins Lucrativos Impedidas (Cepim), elas estão proibidas de assinar novos convênios ou termos
Política

PSDB gasta R$ 250 mil em sistema para votação

O esquema –com dados criptografados, senhas de segurança e núcleos de apoio técnico com 12 agentes espalhados pelas quatro regiões