Cidades

Aldeia indígena recebe atendimento psicossocial em Mato Grosso

Os índios têm forte presença na formação e história do Brasil. No entanto, os desafios enfrentados são muitos. Problemas como vulnerabilidade social, falta de atendimento médico, miséria, alcoolismo e suicídio afetam consideravelmente a população indígena. Para ajudá-los a entender e enfrentar alguns desses problemas, estagiários de psicologia da Unic Rondonópolis desenvolvem projeto na área de saúde mental para a população Bororo, na aldeia indígena Córrego Grande, a 35 km de Cuiabá.

O projeto teve início em 2014, quando Joice Fernandes Souza, então estudante da Unic descobriu que a psicologia poderia ser realizada em qualquer lugar. Em parceria da Diocese de Rondonópolis, Joice propôs uma aproximação com a comunidade indígena e foi a campo eleger uma escola para atuar no primeiro estágio básico. "É muito gratificante saber que a psicologia chegou tão longe e que a Unic teve a possibilidade de levar atendimento para um povo esquecido", diz.

No primeiro momento, o trabalho tinha como foco a psicologia escolar para ajudar a desenvolver os educadores indígenas da comunidade. Além do trabalho de roda de conversa com os professores e observação da atividade realizada com as crianças, também houve o interesse das mães em saber por que os filhos tinham dificuldade na aprendizagem. "Foi estabelecido o contato além da escola. E a comunidade foi emergindo as demandas próprias do problema. Afinal, não é só uma questão cognitiva, há todo um contexto por trás de cada pessoa", salienta Joice.

"Quando trabalhávamos alguns conteúdos com os alunos, eles não conseguiam entender o que era aplicado. Percebemos então que eles precisavam de acompanhamento para compreender as inseguranças psicossociais com rodas de conversas. Esse acompanhamento fortaleceu os estudantes e promoveu melhora significativa nas práticas pedagógicas da escola", explica o professor Fernando Kudoro Bororo.

A partir disso, a comunidade passou a solicitar por mais atendimentos psicossociais e o estágio evoluiu com a criação de plantões psicológicos com foco na promoção de cuidados em saúde mental. "Uma das grandes dificuldades encontradas na aldeia, na questão da saúde mental, é a dificuldade na expressão de sentimentos. E por conta desses problemas, muitos deles canalizavam isso e buscavam o refúgio na bebida alcoólica", relata a coordenadora e supervisora de estágios do curso de psicologia da Unic Rondonópolis, Neide Isabel Johan Kappel.

Bruno Tavie, cacique do povo Bororo, afirma que o alcoolismo é forte na comunidade indígena. "A gente percebe e sabe. Somos lideranças, professores e membros da comunidade, e isso enfraquece a força do nosso povo. Com relação a isso, a Joice desenvolveu um trabalho bonito e excelente. Essa mudança nos incentiva e nos mostra um caminho", reforça.

Por conta do impacto na aldeia gerado pela boa prática, os estágios vão continuar. "A partir deste mês, quatro estagiários vão trabalhar na aldeia Córrego Grande para atender a população indígena. É fundamental para que se possa conduzir o melhor trabalho", afirma Ana Paula Lopes Lucena, diretora da Unic Rondonópolis.

O projeto desenvolvido pela instituição de ensino atendeu cerca de 100 indígenas, entre professores, alunos e familiares, com rodas de conversas sobre autoestima, relações humanas, alcoolismo, liderança, sexualidade, motivação e aprendizagem. Além do atendimento, há o plantão psicológico para professores, alunos e comunidade em geral.

Para Joice é preciso olhar além e valorizar o que o dinheiro não compra. "Estabelecer vínculos, criar bons relacionamentos e experiência de vida. Só tenho a agradecer por essa oportunidade", pontua.

Sobre a aldeia

De acordo com a Fundação Nacional do Índio (Funai), a aldeia Córrego Grande está localizada na terra indígena Tereza Cristina, em Santo Antônio do Leverger, com área compreendida em 30.060 hectares. Estima-se que vivem 440 Bororo na aldeia. Os Bororo se autodenominam Boe e o termo "Bororo" significa "pátio da aldeia".

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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