Yana Fois Coelho Alvarenga, acusada de ajudar a planejar o assassinato de Esvandir Antonio Mendes, prefeito de Colniza, a 1.065 km de Cuiabá, em 2017, foi condenada a oito meses de prisão em regime aberto e pagamento de multa de R$ 300 mil por exercer a profissão de médica, sem ter diploma e autorização legal.
De acordo com a decisão judicial proferida na última segunda-feira (27), Yana exerceu ilegalmente a medicina por dez anos em quatro estados. Só os contratos de trabalho em Mato Grosso totalizaram um montante de R$ 187 mil.
EXERCÍCIO ILEGAL DA PROFISSÃO
A decisão apontou que, entre os anos de 2006 a 2007, Yana usou documento falso para ter de uma universidade para outra, no Rio de Janeiro. Os documentos foram adulterados.
Além disso, foi comprovado na Justiça que ela é acadêmica desistente do Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos, em Tocantins, além de ter sido reprovada em quase todas as disciplinas do curso de medicina, apesar de apresentar documento constando ter sido aprovada.
"A denunciada se utilizou do diploma invalidado, para o exercício ilegal da medicina no Hospital Municipal André Maggi entre os anos de 2015 a 2017¸ atuando, inclusive, no dia em que o então prefeito de Colniza, Esvandir Antônio Mendes, veio a óbito", diz trecho da decisão.
Durante o interrogatório, Yana alegou que não sabia da invalidação do diploma e que a instituição não havia formalizado a situação dela.
"Na época eu era monitora de matérias então eu lembro que teve um professor meu que disse 'essa menina é literalmente apta, essa menina me ajuda em tudo.' E eu não sabia do que se tratava. Fui saber agora depois de presa", diz trecho do depoimento.
No entanto, testemunhas e documentos comprovaram que ela foi informada e teria ido, em 2009, até a sede da universidade em que estudava, para solicitar que sua situação fosse revista.
Ela também confessou que exerceu a medicina em outros estados além de Mato Grosso, sendo coordenadora da clínica médica em um hospital de São Paulo e médica em dois hospitais municipais no estado do Pará.
ASSASSINATO DO PREFEITO
Yana Fois Alvarenga está presa desde dezembro de 2017 na Penitenciária Ana Maria do Couto May, em Cuiabá, acusada de participar da morte do então prefeito, que aconteceu no mesmo mês, enquanto exercia a profissão de médica sem nunca ter se formado.
O G1 tenta localizar a defesa de Yana Alvarenga.



