O cenário político de Cuiabá foi tomado por um discurso de rara agressividade institucional neste domingo (1º de março). Durante o ato “Acorda Brasil”, realizado na Praça Oito de Abril, o prefeito Abilio Brunini (PL) abandonou qualquer vestígio de neutralidade administrativa para assumir o papel de líder de trincheira. Em sua fala, o gestor declarou abertamente não se importar com a parcela da população identificada com a esquerda e convocou sua base a uma “guerra de cansaço” nas redes sociais.
A Ofensiva Digital como “Hobby”
A tática proposta por Brunini vai além da defesa de ideais; ela foca na desestabilização emocional do adversário. O prefeito incentivou que seus apoiadores entrem em publicações de opositores para provocá-los, sugerindo que façam isso apenas pelo prazer de ver o “petista gastar a tarde respondendo”.
“Vai lá e o provoque, nem que seja por hobby só para fazê-lo ficar irritado… Vai lá e ‘taca’ o terror”, disparou o prefeito para a militância presente.
Desafio às Lideranças do PT
De olho no pleito majoritário de 2026, Abilio subiu o tom contra figuras centrais da esquerda mato-grossense. Ele desafiou os deputados Lúdio Cabral e Valdir Barranco a deixarem a zona de conforto do Legislativo para disputarem o Governo do Estado e o Senado, respectivamente. Segundo Brunini, a esquerda “não se cria” em Mato Grosso e as lideranças teriam medo do ostracismo político que uma derrota em cargos majoritários poderia causar.
Alinhamento Estratégico do PL
O evento também serviu para selar a unidade interna do Partido Liberal. O vereador Rafael Ranalli reforçou o apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência e destacou a importância vital do senador Wellington Fagundes na articulação que trouxe o ex-presidente Jair Bolsonaro para a sigla. Para o grupo, Mato Grosso é o “porto seguro” do conservadorismo e a base para o salto nacional da legenda.
O discurso de Abilio, embora aplaudido pela militância “raiz”, sinaliza uma gestão que não busca o consenso, mas a vitória pela saturação do debate. Ao dizer que está “se lixando” para 35% do eleitorado, Brunini aposta todas as suas fichas na fidelização de sua base e na crença de que, em Mato Grosso, o enfrentamento ideológico rende mais dividendos do que a conciliação.


