Depois de tanta discussão política, talvez tenha chegado a hora de propor um verdadeiro acordo de paz nacional, começando pelo lugar onde tantas amizades foram colocadas à prova: os grupos de WhatsApp. Afinal, durante a campanha, teve de tudo. Gente que virou especialista em política de uma hora para outra, parentes que quase transformaram o almoço de domingo em um debate eleitoral e amizades que ficaram por um fio por causa de um voto diferente.
Mas a eleição passou. As urnas foram fechadas, o resultado foi divulgado e a vida continua. Será mesmo necessário prolongar a disputa como se estivéssemos diante de uma novela sem capítulo final?
Quem venceu tem todo o direito de comemorar. Quem perdeu também tem o direito de ficar insatisfeito, refletir sobre o resultado e se preparar para os próximos desafios. Isso faz parte da democracia. O que não faz sentido é transformar a diferença de opinião em motivo para romper amizades, afastar familiares ou tratar o vizinho como adversário. Afinal, o pão francês continua com o mesmo preço, independentemente de quem recebeu mais votos!
É preciso entender que a eleição termina, mas a convivência permanece. O colega de trabalho que votou em outro candidato continua dividindo o mesmo ambiente, assim como o amigo que pensa diferente continua sendo aquela pessoa com quem tantas vezes compartilhamos risadas, conversas e bons momentos.
Passado o período eleitoral, é hora de diminuir o tom das discussões e abrir espaço para o diálogo. Quem venceu precisa compreender que governar exige responsabilidade com toda a população, inclusive com aqueles que não apoiaram sua candidatura. Já quem perdeu pode continuar fiscalizando, cobrando e apresentando críticas, pois acompanhar as decisões dos representantes eleitos também faz parte da cidadania.
E nós, cidadãos, precisamos aprender a discordar sem transformar cada conversa em uma disputa pessoal. Ter opiniões diferentes não significa que alguém precise ser tratado como inimigo. Se até a escolha do sabor de uma pizza pode render uma discussão, imagine quando o assunto envolve o futuro de uma cidade ou de um país! O verdadeiro desafio começa agora: deixar a rivalidade eleitoral para trás sem abandonar a responsabilidade de acompanhar a política. Não se trata de esquecer as diferenças ou fingir que todos pensam da mesma maneira, mas de reconhecer que o respeito deve permanecer mesmo quando não existe concordância.
No fim das contas, os candidatos seguem suas trajetórias, os mandatos começam e terminam, mas somos nós que continuamos compartilhando as mesmas ruas, os mesmos espaços públicos e os mesmos problemas do cotidiano. Por isso, uma cidade dificilmente avança quando seus moradores permanecem divididos por disputas que já deveriam ter ficado para trás.
Minha proposta, portanto, é simples: menos indiretas nas redes sociais, menos provocações nos grupos de família e mais disposição para conversar. Nem sempre será possível chegar a um consenso, mas isso não impede que exista respeito. Afinal, preservar uma amizade pode ser muito mais importante do que vencer uma discussão na internet. E, para o próximo encontro entre amigos, fica uma sugestão: que tal trocar o debate eleitoral pelo futebol, pelo preço da cerveja ou pela velha discussão sobre quem vai pagar a conta? Convenhamos, esses assuntos também rendem boas polêmicas, mas pelo menos deixam a possibilidade de terminar a noite com uma boa risada. Porque a eleição passa, os resultados ficam para a história, mas a convivência continua sendo uma escolha diária. E, se não conseguimos concordar em tudo, que ao menos consigamos continuar sentando à mesma mesa.
Passou a eleição. E agora, vamos fazer as pazes?
ESCRITO PELO PROF. JOSÉ MARTA FILHO


