A repetição dos resultados das pesquisas de intenção de votos, sugere que a disputa pela presidência ficará restrita ao Lula e ao Flávio e que, salvo algum episódio inesperado, será decidida por um número percentualmente pequeno de votos, como aconteceu na última eleição, quando a diferença foi de menos de 2%.
Não parece temerário afirmar que os demais concorrentes (Caiado, Zema, Renan etc.) não chegarão ao segundo turno, porque o mais lembrado deles não passa de 5% de preferência do eleitor, desde que começaram as pesquisas este ano.
O que reforça a convicção de que os dois líderes disputarão acirradamente cada voto é o fato de que os percentuais de cada um vêm se mantendo com pouca variação, desde o lançamento das pré-candidaturas.
Houve momentos preocupantes para eles: no episódio do financiamento do filme Dark Horse, o Flávio levou um susto e, nesse momento, houve alguns votos perdidos, mas foram recuperados, assim que a imprensa sossegou.
Depois, quando a Michelle, em um ato intempestivo ou planejado, expôs a briga familiar, houve outro recuo. Nada que uma costura do Waldemar da Costa Neto não contornasse, mediante um pedido de desculpas do enteado à madrasta ofendida e consequente celebração (fictícia?) das pazes entre os dois.
O Lula, por sua vez, também sofreu um golpe. A noticiada atuação do Lulinha dentro do governo, tentando abrir portas para lobistas, gerou muita preocupação para o pai presidente.
Ainda não recuperado do trauma, vem o caso do chefe de gabinete presidencial, o popular Marcola, que teria recebido agrados financeiros da mesma lobista, com a finalidade de favorecer negócios de empresas oportunistas com o Ministério da Saúde.
O fato é que as situações mostradas em Dark Horses, Michelles, Lulinhas e Marcolas não influenciaram nem os votos dos seguidores do Mito da direita (sim, porque os que votam no Flávio, de fato, estão reverenciando o pai dele) nem dos que canonizaram o Demiurgo de esquerda. Não há escândalo que faça cada um desses grupos mudar o voto.
Dizem os entendidos que os eleitores evangélicos decidirão o pleito. Se isto for verdade acho que a direita vacilou esta semana, quando o Blogueiro Allan dos Santos e o Eduardo Bolsonaro (os dois autoexilados nos EUA) criticaram a Michelle, desmerecendo-a como candidata à senatoria pelo Distrito Federal. Lá ela tem a eleição quase garantida, mesmo com o ataque do enteado e seu amigo.
Agindo assim, a direita pode perder a eleição. Em uma disputa tão acirrada, dá- se ao luxo de desperdiçar votos das mulheres, atacando sua principal líder. No meio evangélico ela tem mais prestígio que o histriônico Silas Malafaia, Valdemiro Santiago, R.R Soares e o enrolado Bispo/banqueiro Edir Macedo
O governo tem ainda dois trunfos para enfrentar a direita dividida: esta semana o Homem do Chapéu combinou com o Companheiro Hugo e o Companheiro Alcolumbre a permanência da isenção da “taxa das blusinhas” e o empenho deles em votar o fim da escala 6×1, antes das eleições.
Em um país quebrado, a solução encontrada pelo governo e apoiada pelo Congresso, foi diminuir impostos de produtos supérfluos e dar mais uma folga semanal para os trabalhadores brasileiros. É péssimo para o País, mas rende votos.
Renato de Paiva Pereira.


