A Caixa Econômica Federal (CEF) concedeu nesta terça-feira (6) R$ 360 milhões em empréstimos à Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. O montante ajudará a instituição filantrópica a quitar dívidas com fornecedores e reestruturar o endividamento. Segundo a administração da Santa Casa, as dívidas chegam a R$ 860 milhões.
O empréstimo se dará por meio da linha de crédito Caixa Hospitais e deve ser pago ao banco dentro de um prazo de 10 anos. Já a liberação dos recursos deve acontecer nos próximos 30 dias.
O protocolo do contrato foi assinado em cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, e contou com a presença do presidente da República, Michel Temer, do ministro da Saúde, Ricardo Barros, do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, do presidente da Caixa, Gilberto Occhi, e do provedor da Santa Casa de São Paulo, José Luiz Setúbal.
Em fala rápida no evento, Temer ressaltou a importância e a tradição das Santas Casas para a população brasileira.
"Na verdade, eu sempre conto que sou de uma cidade do interior onde a Santa Casa era um lugar altamente prezável. Tinha até tinha esse tom um pouco religioso, não é? […] A Santa Casa de São Paulo tem uma tradição extraordinária e serve de exemplo, na verdade, para todas as Santas Casas do país. Tem sido assim e esta concepção que nós temos", afirmou.
A Santa Casa de São Paulo foi fundada em 1560 e é a maior instituição filantrópica da América do Sul. Ela também é uma das maiores prestadoras de serviços do Serviço Único de Saúde, com mais de 8 mil atendimentos por dia.
Entenda a crise
A atual crise financeira da Santa Casa começou em 2014, quando o hospital fechou o pronto-socorro por falta de condições de atendimento. À época, o antigo provedor, Kalil Rocha Abdalla, chegou a reclamar da falta de repasse de verbas do estado e da União.
Entretanto, o Ministério Público investiga suposto desvio de recursos do caixa do hospital durante a gestão de Kalil. Segundo a denúncia, dezenas de imóveis foram comprados pela instituição e vendidos por um preço abaixo do valor da escritura.
Durante o processo, Kalil chegou a ser afastado e teve seus bens bloqueados pela Justiça Federal. Ele responde a um processo civil por improbidade administrativa. Se for condenado, o ex-provedor terá de devolver R$ 56 milhões aos caixas dos cofres públicos.
A Santa Casa também teve quase R$ 1 milhão em bens bloqueados pela Justiça por irregularidades na antiga gestão. Em abril de 2015, Kalil Rocha Abdalla renunciou. O pediatra José Luiz Setúbal assumiu o cargo com o desafio de negociar a dívida.
Para equilibrar as contas, a Santa Casa demitiu 1,5 mil funcionários em outubro do ano passado. A operação voltou a funcionar no azul, mas a nova administração do hospital ainda tenta quitar as dívidas que chegam a R$ 860 milhões.
O valor devido refere-se aos gastos com fornecedores, funcionários e empréstimos bancários. A Secretaria Estadual da Saúde disse que repassou R$ 360 milhões para a Santa Casa nos últimos 18 meses para ajudar o hospital a sair da crise.
O Ministério da Saúde disse que está revendo a tabela do SUS, que é a principal forma de repasse de verbas da União para hospitais filantrópicos.
Fonte: G1



