Cidades

Moradores do bairro Praeiro amanhecem sem telefone e internet

Por Sandra Carvalho/Bruna Gomes

O Bairro Praeiro amanheceu em clima de terror neste sábado (11). Os moradores ainda abalados com os ataques da noite passada estão incomunicaveis: sem telefone e sem internet. Um senhor evangélico afirma que passou a noite em claro, por conta do medo.

O local foi um dos escolhidos pelos presos para incêndiar um ônibus na noite desta sexta-feira (10). O ônibus da empresa Pantanal Transportes foi queimado por volta as 21h30 no ponto final do Praieiro, na Avenida General Melo. Há informações de que moradores viram homens armados atirando para cima enquanto ateavam fogo em um ônibus.

Segundo um morador, que não quis se identificar, ele estava dentro de casa quando escutou um estouro e correu para fora. "Pensei que fosse uma bomba, mas quando saí aqui fora o fogo já estava lá no alto", declarou ao Circuito Mato Grosso. Ainda de acordo com o cidadão, duas viaturas dos bombeiros chegaram em 10 minutos e controlaram rapidamente o incêndio.

A população está muito abalada com os ataques. "Que tragédia horrível. Nunca vi nada parecido", afirmou a aposentada Nelia Luísa, residente no Praieiro.

Na noite desta sexta-feira (10) foram incendiados cinco veículos em diferentes pontos de Cuiabá e Várzea Grande. De acordo com a polícia, ataques a ônibus ocorreram no bairro Pedra 90, Jardim Vitória e Praeiro. Uma moto e um veículo de passeio foram incendiados na região do Jardim das Américas e a casa de um agente penitenciário foi crivada de balas no Jardim Eldorado. 

Vários vídeos e áudios foram divulgados pelas redes sociais, e teriam sido gravados supostamente por criminosos envolvidos nos atentados. Os ataques teriam sido liderados de dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE) pelo assaltante Reginaldo Aparecido Brito, condenado há 18 anos por crimes de roubo. 

Um dos homens que teria divulgado vídeos com ameaças foi preso já estaria na Centra de Flagrantes do Planalto. Pelo menos 100 policiais militares foram colocados na rua por conta as ações criminosas e a polícia já teria inclusive reforçado a segurança do governador Pedro Taques. A Secretaria de Segurança Pública também está preparando um balanço sobre os ataques desta sexta-feira (10).

A reação dos presidiários, que começou com motim no final da tarde na PCE, teria sido motivada pela suspensão das visitas dos familiares por conta da greve dos servidores públicos pelo pagamento do RGA. A greve foi considerada ilegal pelo desembargador Alberto Ferreira de Souza no dia 3 de junho. Apesar da liminar apontar multa diária de R$ 100 mil, os servidores da saúde decidiram pela manutenção do movimento alegando dinheiro em caixa para arcar com o ônus.

A última contraproposta do Governo do Estado foi apresentada ontem e consiste no pagamento de 6% apresentados anteriormente em três parcelas de 2% em setembro, janeiro e abril, além do retroativo à maio, data base dos servidores. 

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Redação

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