Se tem uma coisa que a sociedade se ajusta e inova, independente de regimes políticos ou preceitos morais são as formas de escapismo. Seja através de remédios, drogas legalizadas, plantas naturais ou misturas sintéticas construídas em laboratório o ser humano sempre inventa uma nova maneira de alterar sua consciência. A novidade na festa de Cuiabá é o LSD líquido, utilizado com conta-gotas e embalado em frascos similares ao de um colírio.
A aparência da composição não despertaria curiosidade por ser um líquido claro, sem cor e sem cheiro. Entretanto, a potência e os efeitos são impressionantes. Esse novo entorpecente seria uma recriação do LSD, agora na forma líquida. Cada gota custaria entre R$ 30 e R$ 60.
Os efeitos do uso geram alterações temporais, espaciais, visuais, táteis, gustativas, olfativas e auditivas. E sensações, que podem ser boas ou ruins: frio ou calor, extrema alegria e felicidade ou medo e angústia, agitação mental ou relaxamento, dor de cabeça ou completa analgesia.
A ingestão de uma única gota seria suficiente para muitas horas de animação e ainda ofereceria a possibilidade de estender o estado alterado de consciência ingerindo uma nova dose a cada seis ou mais horas.
Por ser tão poderosa, não é indicado pingar a gota diretamente na língua, há quem prefira umedecer um pedacinho de guardanapo de papel e apertá-lo sobre ou deixa-lo preso embaixo da língua por alguns minutos ou adicionar uma gota à bebidas sem álcool.
Histórico da droga
Em outros países, essa droga já é comum há alguns anos, no Brasil, a primeira apreensão ocorreu em junho de 2014, em Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife, pela Polícia Federal.
A descoberta só veio com a prisão de um rapaz de 25 anos, com haxixe e maconha. Na casa dele, além dessas drogas, os policiais encontraram três frascos de conta-gotas com um líquido que o traficante disse ser remédio para ansiedade.
Em março deste ano, a PF desativou em Fortaleza um laboratório de drogas sintéticas. Apreendeu mais de 400 micropontos de LSD (micro adesivos) e seis frascos de LSD líquido, que seria utilizado para a fabricação dos micropontos.
A declaração dele não convenceu os federais, que decidiram apreender e mandar para análise no Instituto de Criminalística). Dias depois, veio o resultado confirmando ser LSD. Somente depois do laudo, a PF tornou pública a apreensão.
Aqui, a polícia diz não ter conhecimento do comércio ou uso dessa droga. Nas delegacias de Repressão ao Tráfico, tanto da Polícia Federal quanto da Judiciária Civil, a comercialização e uso dessa droga aqui ainda é uma novidade.
A reação do delegado Juliano Silva de Carvalho, da DRE (Especializada Repressão a Entorpecentes) foi de surpresa. Ele disse que até então só sabia da circulação dessa droga em grandes centros, como Rio de Janeiro.
LSD – O LSD (Dietilamida do Ácido Lisérgico) é uma substância sintética semelhante às presentes em um fungo denominado Claviceps pupurea. É uma droga bastante forte, por isso poucas quantidades são suficientes para que haja um grande efeito. Estima-se que se uma pessoa utilizar uma dose de 50 microgramas, o efeito pode durar até 12 horas.
Com informações do Diário de Cuiabá



