Por Catia ALves/ Cintia Borges
“A questão da droga é uma tendência do próprio Governo de utilizar dos seus veículos de comunicação para desmobilizar um movimento que a gente tem construído”. Declara o presidente da Associação Mato-grossense dos Estudantes (AME), Joares França, após boatos ventilados pelo Governo de Grosso.
No boato, uma mãe teria denunciado a assessoria de imprensa do Governo de Mato Grosso que representantes das Escolas Estaduais de Mato Grosso em greve estarem dizendo aos alunos que com implantação das Parcerias Público- Privadas (PPP) as escolas cobrariam mensalidade.
Ainda houve uma denuncia na Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp) por parte dos pais dos ocupantes. Segundo eles, os adolescentes de escola em Várzea Grande estariam praticando sexo e consumindo drogas e bebidas alcóolicas no interior das dependências escolares. “Pode ter sido um caso isolado, não sendo um caso que envolva todo o movimento”, diz França.
Joarez informou ao Circuito Mato Grosso que os comitês das ocupações se reuniram para contrapôs o argumento da imprensa divulgados na tarde nesta sexta-feira (3). “Um veículo de comunicação acabou citando duas escolas ocupadas em Várzea Grande, onde estariam acontecendo essas coisas. Algo completamente sem provas e é necessário que isso seja provado”, declara.
Segundo o presidente da AME, as escolas estão sendo ocupadas por atividades culturais, aulas públicas, debates, entre outros eventos produzidos pelos próprios estudantes. “Muitos pais tem vindo até as ocupações e conhecido a rotina do dia-a-dia. Inclusive tem pais dormindo nas escolas e fazendo comida, o que contraria o que o Governo”.
“Os pais estão tendo a consciência de que a ocupação é uma atividade que vai envolver os estudantes e não algo que exclui das aulas”.
São 21 escolas ocupadas em todo o Estado: 18 na Baixada Cuiabana e outras três em Barra do Garças. “A tendência é crescer o movimento. Hoje o governo fala que estamos manipulando e que o próprio Sintep [Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público do Estado] está manipulando, mas não. Não é a AME que está estimulando as ocupações, são eles que estão no procurando para poder participar”, declara Joarez.
CONVITE DOS ESTUDANTES A IMPRENSA
No final da tarde de sexta-feira (3), os alunos da Escola Estadual Ubaldo Monteiro da Silva, convidou a imprensa para conhecer a ocupação que os estudantes estão fazendo.
Veja nota emitida pelos estudantes:
“Nós, estudantes que ocupamos a escola Ubaldo Monteiro da Silva, convidamos a imprensa para conhecer nossa ocupação. Acompanhamos as notícias sobre as ocupações e sobre a nossa em particular. Temos muita tristeza de ver que a diretora da escola e pessoas que têm raiva do movimento estão tentando jogar a comunidade contra nós estudantes e dar desculpas para o governo nos desocupar. Nós sabemos que os boatos e as provas que a SEDUC diz que tem são mentirosas. Em nossa ocupação, não há consumo de álcool ou drogas, não há sexo ou baderna. E o caso, citado nas notícias, que uma suposta mãe teria arrancado a filha após ver ela bebendo é invenção. Uma vizinha da frente da escola realizou um tumulto porque estava muito embriagada, gritando e xingando os estudantes; mais do que isso, não aconteceu.
Por isso, queremos a oportunidade de mostrar o outro lado, o nosso lado. Queremos ter a oportunidade de contar o que realmente tem acontecido na ocupação e mostrar como estamos nos organizando.
Convidamos toda a imprensa para uma coletiva conosco, em nossa escola ocupada. Hoje, 03/06, 19h.
Estudantes da escola ocupada Ubaldo Monteiro da Silva.”



