Nacional

Sofrimentos mentais acometem até 30% dos policiais do Rio

A falta de boas condições de trabalho – onde às vezes sequer há água potável –, de treinamento e de formação continuada – prevalecendo a urgência do serviço em relação ao estudo – são alguns dos motivos apontados por policiais militares como os fatores mais problemáticos da profissão e que contribuem para o estresse. Os dados constam em um relatório elaborado pelo núcleo de psicologia da PM-RJ apresentado na CPI dos Autos de Resistência nesta quinta-feira (17).

Segundo o chefe do setor, tenente Coronel Fernando Derenusson, os sofrimentos mentais acometem até 30% dos policiais que trabalham em áreas deflagradas, consideradas "vermelhas" pela Secretaria de Estado de Segurança (Seseg), como é o caso da Nova Brasília, no Conjunto de Favelas do Alemão, e de batalhões como o de Rocha Miranda.

Ele ressalta, no entanto, que nem toda esta porcentagem está inapta ao trabalho e que o "sofrimento mental" é um termo cunhado pela Organização Mundial da Saúde para diagnosticar transtornos mentais leves.

"É difícil sobreviver a carreira policial, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Ser policial já é difícil para os sãos, por ter que ir ao combate. Se o policial não estiver minimamente preparado deve ser afastado da atividade-fim (trabalho nas ruas)", resume.

No entanto, a falta de pessoal pode atrapalhar o afastamento dos militares. Ele diz que o setor de psiquiatria é "sobrecarregado" e que, por um deficit de 5 mil profissionais da saúde, os policiais chegam a ser encaminhados para a rede pública quando precisam de tratamento. São cerca de 100 psicólogos para 200 mil policiais.

Violência e identidade masculina
Em relação aos excessos cometidos por policiais contra agentes civis, sobretudo em comunidades, os agentes costumam apresentar "insultos morais" como justificativa, de acordo com o relatório.

Numa interpretação do psicólogo, os PMs acabam vivenciado uma hiperresponsabilização. Recaem sobre o militar, por exemplo, desde partos a ações repressivas, passando pela batalha contra o tráfico de drogas.

"É como se os problemas sociais sobrassem para o policial. A educação falha, a saúde falha. Tudo tem falhado demais e eles não se permitem falhar e puxam a responsabilidade para si", analisa.

'O problema é o policial ou a missão?'
A formação policial nos dias de hoje, segundo o chefe do setor de psicologia, não privilegia o enfrentamento. Há casos, ainda segundo ele, de policiais iniciantes que ficam surpresos ao serem treinados pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) e concluírem o curso aprendendo a se defender e não a atacar.

Seria justamente a falta de preparo que levaria o policial para a "guerra", como último recurso em meio ao pouco treinamento e ao estresse da profissão.
Derenusson citou ainda o depoimento do coronel Robson Silva, chefe do Estado Maior, que na mesma CPI chegou a dizer que era necessário regular a venda de droga na mão do estado, questionando o valor da "missão" do policial contra o tráfico de drogas.

"No Santa Marta o policial-guerreiro não aparece, é um policiamento de proximidade. O problema é o policial ou é a missão? Não adianta colocar um policial mal preparado em uma área vermelha", relata.

Fonte: G1

 

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Nacional

Comissão indeniza sete mulheres perseguidas pela ditadura

“As mulheres tiveram papel relevante na conquista democrática do país. Foram elas que constituíram os comitês femininos pela anistia, que
Nacional

Jovem do Distrito Federal representa o Brasil em reunião da ONU

Durante o encontro, os embaixadores vão trocar informações, experiências e visões sobre a situação do uso de drogas em seus