Nacional

Estudo demonstra que zika destrói células do cérebro

O vírus da zika presente na América Latina é capaz de atacar e destruir as células cerebrais humanas em desenvolvimento no feto, revela um estudo publicado nesta sexta-feira (4) com base a observações em laboratório.

O estudo liderado pelo Instituto de Engenharia Celular da Universidade Johns Hopkins é o segundo divulgado nesta semana a reforçar o vínculo biológico entre o vírus transmitido por mosquito e o aumento drástico de casos de microcefalia observado no Brasil.

Os pesquisadores conseguiram demonstrar que o vírus infecta um tipo de célula-tronco neural que dá origem ao córtex cerebral. Em laboratório, ficou comprovado que o vírus é capaz de se reproduzir dentro dessas células, resultando na morte delas ou na interrupção de seu crescimento.

"Este é o primeiro passo e há muito mais que precisa ser feito", disse o neurocientista Hongjun Song, um dos líderes do estudo. "O que mostramos é que o vírus da zika infecta células neuronais in vitro que são homólogas às que formam o córtex durante o desenvolvimento do cérebro humano"

Estudo brasileiro

Na noite desta quarta-feira (2), já tinha sido divulgado um estudo que demonstra que o vírus da zika ataca neurônios em estágio de desenvolvimento.
A conclusão saiu de um experimento em que cientistas da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e do Instituto D'Or criaram neuroesferas — também conhecidas como "minicérebros" — pequenas estruturas de neurônios criadas em suspensão em tubos de ensaio.

Neuroesferas são criadas a partir de células da pele de humanos adultos, que são reprogramadas para regredir a um estágio similar a células embrionárias e então recapitular o desenvolvimento humano.

Ao infectar essas estruturas com o vírus da zika, um grupo liderado pelo biólogo Stevens Rehen observou que o patógeno afeta a formação dos minicérebros.

"Nós mostramos que o ZIKV [vírus da zika] ataca células cerebrais humanas, reduzindo sua viabilidade e o crescimento  de neurosferas", escreveram os autores em um estudo divulgado nesta quarta-feira (3). "Esses resultados sugerem que o ZIKV impede a neurogênese [formação de neurônios] durante o desenvolvimento cerebral humano."

O estudo do grupo de Rehen foi publicado na revista científica PeerJ, ainda sem passar por um processo de revisão por um grupo independente — praxe no meio acadêmico.

Fonte: G1

Redação

About Author

Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

Você também pode se interessar

Nacional

Comissão indeniza sete mulheres perseguidas pela ditadura

“As mulheres tiveram papel relevante na conquista democrática do país. Foram elas que constituíram os comitês femininos pela anistia, que
Nacional

Jovem do Distrito Federal representa o Brasil em reunião da ONU

Durante o encontro, os embaixadores vão trocar informações, experiências e visões sobre a situação do uso de drogas em seus