Os pedidos de liminares judiciais em busca da suposta substância anticâncer fosfoetanolamina têm se multiplicado pelos escritórios de advocacia Brasil afora e congestionado a Justiça de São Carlos, mesma cidade do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), responsável pela distribuição da droga. É importante informar que as cápsulas não são um remédio registrado pela Anvisa, pois não passaram por testes clínicos essenciais para obtenção desse registro.
De acordo com o advogado de Curitiba Robson Zanetti, os processos estão sobrecarregando a juíza Gabriela Müller Carioba Attanasio, da Vara da Fazenda Pública de São Carlos. Ela tem em média 800 processos sobre a fosfoetanolamina para despachar por dia. “A juíza também está pedindo que os pacientes guardem os laudos médicos pré e pós três meses de uso para acompanhar os efeitos”.
Em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo”, funcionários do fórum disseram que um pedido de auxílio para dar conta da demanda seria feito ao Tribunal de Justiça. A juíza não foi encontrada para comentar o assunto nesta sexta.
Zanetti tem 50 clientes e recebe cerca de 70 pedidos de informação sobre o assunto diariamente. Ele diz que os tramites ficaram mais lentos. “Há alguns meses a gente entrava com a ação judicial, mandava a documentação em um dia, e, até o final tarde ou a manhã do dia seguinte, já tinha a liminar. Agora está levando cerca de cinco dias. Depois da liminar, a USP tem que mandar a medicação. No início, isso levada cinco dias e hoje chega a demorar 30 dias mais ou menos”.
O período relatado por Zanetti já é maior do que o estipulado pela Justiça, que nesta semana ampliou de cinco para 20 dias o prazo dado à USP para a entrega das cápsulas – as liminares preveem multa diária de R$ 1.000 em caso de descumprimento do prazo.
O advogado de Sorocaba César Maximiano Duarte diz que houve uma mudança no perfil das pessoas que o procuram. “São pessoas do Brasil inteiro: Maranhão, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio Grande do Sul. Muitos advogados entram em contato para firmar parceria para poder ajuizar a ação aqui em São Paulo, pois já tenho um modelo básico de petição”, conta.
Mais de 70 grupos nas redes sociais
Pelas redes sociais os relatos sobre os efeitos do uso da fosfoetanolamina se multiplicam assim como os pedidos de liminares na Justiça paulista.
Somente no Facebook, há pelo menos 70 grupos e eventos que engrossam o coro pela liberação do composto. São mais de 100 mil curtidas.
Em um dos grupos – Amando Fosfoetanolamina –, pacientes e familiares postam depoimentos detalhados sobre o uso da substância e os seus efeitos. O grupo fez um balanço dos 107 casos já divulgados: 12 pacientes tiveram a cura do câncer confirmada, 95 descreveram resultados positivos, outros 12 disseram não ter percebido os efeitos ou não tinham dados suficientes. O índice extraoficial do site indica 88% de êxito no tratamento.
Em muitos casos, os relatos são complementados e enriquecidos com fotos dos exames e vídeos dos pacientes comparando os resultados antes e após a utilização. “Com três dias de uso já se levantou da cama”, escreveu o parente de uma paciente com câncer no pâncreas. “Nódulo no pescoço visivelmente menor e não sente dores”, relatou outro familiar.
Fonte: UOL

