O resultado do laudo de três amostras de refeições servidas no Colégio Jatobá, em Santo André, não apresentou bactérias que poderiam causar mal estar nos alunos. Ainda falta o resultado da análise de mais de 35 amostras de comida retiradas do almoço, lanche e jantar da escola. Após contaminação da bactéria Shigella sonei, 56 crianças foram internadas com doenças intestinais. Duas ainda permanecem no hospital.
Segundo o Secretário Municipal de Saúde de Santo André, Homero Nepomuceno, as próximas amostras, todas realizadas pelo Instituto Adolfo Lutz, podem não conter as bactérias causadoras do mal estar já que a escola já havia descartado em totalidade os resíduos de algumas refeições.
O secretário disse ainda que todos os funcionários da cozinha e do lactário foram examinados e apenas um deles apresentou a Shigella sonnei. "Ainda precisamos descobrir se ele foi vítima ou transmitiu a bactéria", disse Nepomuceno. "Esse processo do inquérito epidemiológico ele vai ser o elucidador disso. No momento essas duas hipóteses estão sendo aventadas. Ele pode ter sido tanto uma pessoa que também se contaminou, porque também faz refeição lá na escola, como pode ser a fonte irradiadora do problema."
O colégio deverá voltar a funcionar na terça-feira (1º) após higienização e limpeza dos reservatórios de água. A Secretaria Municipal de Saúde irá ao local na segunda-feira (31) para verificar se os critérios exigidos foram respeitados. Já as adequações para armazenamento, produção e serviços das refeições serão realizadas com prazo indeterminado.
A escola já modificou a estrutura para poder contratar um serviço de merenda terceirizado para atender as 160 crianças que estudam em período integral e semi-integral. Todos os funcionários que voltarão ao trabalho para servir alimentos precisarão apresentar atestado médico.
Um inquérito epidemiológico, com todos os laudos exigidos, incluindo os feitos nos funcionários, crianças e comida, está previsto para ser finalizado em até 90 dias. Ele deverá apontar, finalmente, a causa da contaminação pela bactéria.
Menino recebe alta

Garoto Caio, de 8 anos, recebeu alta nesta sexta-feira (Foto: Reprodução TV Globo)
Internado na última semana após passar mal, o aluno Caio, de 8 anos, recebeu alta do Hospital Brasil nesta sexta-feira (28) e está em casa, segundo a tia, Gabriela Vieira Maria. Caio foi um dos casos mais graves e precisou receber tratamento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O menino fez laparotomia recuperadora para investigação de possível perfuração intestinal provocada pela bactéria Shigella sonnei. Ele chegou a respirar com ajuda de aparelhos. Quanto acordou da sedação, na terça-feira (25), o menino brincou que estava famoso. "Ele disse que não lembra de nada e que está famoso porque muita gente viu a foto dele na TV", contou a tia, que também é madrinha de Caio.
Contaminação
Alguns alunos da escola participaram de uma festa infantil em um bufê. Mas, segundo o secretário, isso não entrou no rol de investigação, “pois algumas crianças deixaram de ir ao evento porque já estavam mal”. “Uma fonte de contaminação que seja fora do ambiente da escola é praticamente descartada", disse Nepomuceno.
As primeiras crianças que se contaminaram foram as que ficavam em período integral, com idades entre 4 a 9 anos. Depois, segundo a Prefeitura, evoluiu para crianças de 1 a 12 anos.
O secretário disse que o período da incubação é de uma semana, "e por isso é prematuro abrir a escola antes deste prazo”. “Só na próxima semana que a escola abre", garantiu.
A direção do Colégio Jatobá, onde as vítimas estão matriculadas, divulgou uma nota de esclarecimento na sexta-feira (21) falando de “virose, infecção intestinal e bactéria muito agressiva” dos alunos. O comunicado também diz que o “colégio encontra-se com todas as documentações administrativas na mais completa regularidade e à disposição dos senhores [pais] para eventuais consultas”.
Fonte: G1



