Fotos: Ahmad Jarrah / Circuito MT
O protótipo do novo ponto de ônibus, apresentado pelo prefeito Mauro Mendes (PSB) na semana passada, foi contestado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) por não atender as reais necessidades dos usuários do transporte público em Cuiabá. O modelo de abrigo lançado pela Prefeitura chegou a ser motivo de piada nas redes sociais, pois o material utilizado para a cobertura não protege a população dos raios solares.
Na tarde desta terça-feira (25), a equipe de reportagem do Circuito Mato Grosso flagrou usuários se protegendo dos raios de sol atrás de placas de sinalização, fora do ponto de ônibus, instalado na Avenida República do Líbano, em Cuiabá.
Segundo o arquiteto e conselheiro do IAB, Abílio Brunini, o protótipo instalado pela Secretaria de Mobilidade Urbana (Smob) não é o ideal para a realidade do município.
“Serve para a Europa, na Alemanha seria perfeito, agora, que estamos com a temperatura de 40ºC e baixa umidade não é a opção ideal”, contestou o arquiteto.
O descontentamento também atinge os usuários, como a economista Nurian Castro, que vai para o trabalho todos os dias utilizando o serviço de transporte público.
“Nunca pensam no usuário, apenas no designer e propaganda. O ponto deveria ter também uma cobertura para a época de chuva. Muitas pessoas pegam ônibus e escondemos no posto de gasolina. Não tem a percepção que o usuário, tanto no calor quanto na chuva, precisa de um ‘esconderijo’ melhor”, afirmou a usuária.
Brunini aponta diversos erros que colocam em xeque a funcionalidade do protótipo de abrigo. Além do material usado na cobertura, que por ser transparente não protege a população do sol, os assentos também não seguem os padrões de qualidade e conforto, determinados por normas, como da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
“A questão da acessibilidade, um cadeirante se posiciona fora da cobertura do equipamento urbano; a questão do acesso do cadeirante ao ônibus, já que não fizeram as adequações nas calçadas; a questão da sinalização; falta de proteção para chuva; ergonomia, pela falta de conforto do assento, altura correta e da borda do banco. Tem várias questões que não só do conforto, mas da proteção e garantia de que o usuário poderá usar o equipamento da maneira correta. Hoje, o que é deficiente é o ponto de ônibus”, apontou Brunini.
De acordo com o IAB, o modelo ideal para a utilização dos usuários deve ter: bom desempenho térmico; materiais que protejam contra radiação solar e chuvas; Altura correta, encosto, acomodação de braços nos assentos; Sinalização de acessibilidade; elementos de iluminação, propiciando a utilização no período noturno; Adequação do pavimento; e sinalização adequada.

Em reportagem publicada no site oficial da Prefeitura, o secretário da Smob Thiago França, afirma que o processo de definição e estudo para a implantação do abrigo durou cerca de três meses e foi elaborado por uma equipe de engenharia da secretaria.
Porém, a informação foi contestada pelo IAB. Brunini conta que o Instituto procurou o secretário e que foi informado de que o protótipo foi elaborado por uma empresa parceira da Prefeitura da Capital.
“Conversamos com o secretário da Semob, ele disse que esse é um protótipo desenvolvido por uma empresa parceira da Prefeitura, mas ele não citou a empresa. Esse abrigo não foi elaborado pelos técnicos de engenharia da secretaria”, declarou Brunini.
O secretário-geral do IAB, Walace Fonseca, declarou que o Instituto defende a realização de concurso público para a implantação de qualquer equipamento ou obra pública, como o ponto de ônibus.
“Não tivemos conhecimento sobre alguma discussão que tenha envolvido o projeto de criação do protótipo. Tomamos conhecimento através da imprensa. Logo surgiu uma reação no meio profissional, devido a sérios problemas em relação a esse projeto. Para este tipo de objeto, como qualquer obra pública, o IAB se posiciona que deve ser o mais democrático e transparente possível. Um abrigo de ponto de ônibus suscita maior interesse por ser um elemento de identidade urbana e cultural de uma cidade, bem como por ser utilizado constantemente por parcela maior da população”, ressaltou Fonseca.
Outro lado
O Circuito Mato Grosso tentou contato, por telefone, com o secretário Thiago França, porém as ligações não foram atendidas. A secretária adjunta da Semob, Ana Regina Feuerharmel, atendeu nossa ligação, mas afirmou que as informações só poderiam ser dadas pelo titular da Secretaria.
Ao todo serão colocados 200 pontos e a meta da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) é que até 2016 sejam implantados 500 abrigos.
Além do custo da instalação dos novos pontos, uma das questões que ainda não foram esclarecidas pela Semob é em relação ao contrato de concessão dos serviços de transporte público da capital, que deixa a cargo das empresas de ônibus a obrigação de colocar abrigos em todos os pontos do município.



