Política

Mauro Mendes “patina” para cumprir metas de governo

Foto: Andréa Lobo / Arquivo CMT

Por Yuri Ramires, especial para o CMT

Muitas das metas estipuladas pelo Plano Estratégico Municipal, elaborado no começo do mandato do prefeito Mauro Mendes, com ações a serem desenvolvidas até 2016 parecem não ir para frente. Em alguns casos, houve retrocessos. Dentre falhas e descontentamento, os destaques são as áreas da saúde, assistência social e serviços urbanos. 

Felizmente ainda não podemos dizer que a cidade está abandonada. Mas não precisa andar muito para observar sinais de que a administração pública não tem conseguido dar continuidade e manutenção em alguns serviços básicos, como o asfaltamento das vias e iluminação. Mas há um ponto que não se pode reclamar: os jardins da cidade nunca foram tão floridos. 

Apesar de a gestão soprar a conquista da entrega do Hospital São Benedito, que não estava dentro dos planos do prefeito, a área da saúde ainda carece muito de cuidados, que vão desde a falta de investimento nas estruturas já existentes até o relacionamento com a categoria dos servidores atuantes na saúde municipal. 

Só neste ano, o município já enfrentou greve de enfermeiros e técnicos, além da greve dos médicos, categoria que provocou a ira da administração, acusando a mesma de propor esquema de carga horária, ou seja, contratam profissionais por uma jornada de trabalho e salário menor. 

Mesmo com a denúncia do Sindicato dos Médicos (Sindimed), por ora não há nada comprovado. Mendes determinou uma correição na categoria atuante na rede pública para comprovar os fatos. A investigação está a cargo da Procuradoria-Geral do Município e deve ocorrer por tempo indeterminado.

Sobre o número de postos de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a meta era criar 250 postos até o final do próximo ano. Por enquanto, a meta está longe de ser concluída. Atualmente, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), apenas 125 locais estão disponíveis para atendimento, contando com o hospital recém-inaugurado. 

Na área da assistência social houve pontos que retrocederam. O Centro Pop, fechado pela administração municipal em meados de 2014, deixou de atender de forma específica centenas de pessoas que vagam diariamente pelas ruas de Cuiabá. 

No plano de Mauro, estava prevista a instalação de duas unidades do Centro Pop, mas a realidade é outra.  Conforme a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Assistência Social, o fechamento da unidade em nada afeta o atendimento dessas pessoas. 

“Apesar do fechamento, a Prefeitura continua o atendimento a pessoas em situação de rua”, informou a assessoria de imprensa da prefeitura.  No entanto, o serviço é vinculado ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), que realiza o acolhimento das pessoas por meio do Serviço Especializado em Abordagem Social (Seas).

No projeto do Centro Pop, o público alvo eram apenas os moradores em situação de rua, já no atendimento do Creas o serviço passa a ser mais só mais um ofertado entre os outros. O espaço foi fechado após uma petição de comerciantes e moradores da Rua Pedro Celestino, no Centro Histórico da cidade. 

Segundo eles, o número de furtos e roubos na região aumentou com a instalação do centro, o argumento foi aceito e o município fechou o espaço. A intenção da prefeitura é reativá-lo em um bairro mais afastado do centro, o que está em desacordo com as diretrizes do Ministério da Saúde, que prevê esses espaços localizados ao centro das cidades.

O objetivo de estender a coleta seletiva da cidade a 20% dos bairros até o próximo ano ainda caminha a passos lentos, o serviço atende hoje em média 22 bairros da cidade, conforme o registro da Secretaria de Serviços Urbanos. 

José Roberto Stopa, secretário de Serviços Urbanos da cidade, explicou que o serviço está em poucas localidades, há mais de 200 pontos de coleta voluntária, em parceria com empresas privadas e que até o final deste ano o número de bairros envolvidos na ação deve aumentar. 

“Uma parceria com postos de combustíveis, condomínio e outros locais, permite que a população deposite seu lixo e a prefeitura faça o recolhimento. No entanto, o serviço é feito por pouco menos da metade da população, que ainda não entendeu a importância da coleta seletiva”, lembrou. 

Vale ressaltar que a coleta é feita diariamente nos pontos, por trabalhadores das cooperativas de catadores. Em breve, nenhum deles poderá exercer a função dentro do aterro sanitário. Uma legislação para os trabalhadores está sendo elaborada.  Atualmente, são mais de 100 catadores cadastrados em quatro cooperativas.  

(AINDA) NOS MESMOS CAMINHOS 

A infraestrutura da periferia da cidade pouco evoluiu. Serviços públicos que deveriam chegar a 90% da população ainda são insatisfatórios, não atingindo a metade do objetivo.

O asfalto chegou a alguns bairros da cidade, porém em outros as obras do programa Novos Caminhos se tornou um pesadelo.  A situação é pior nos bairros Jardim Florianópolis e Jardim União, onde a obra foi lançada, mas não houve avanços. 

Para piorar, a empresa responsável pelas obras, a Três Irmãos Engenharia, abandonou o serviço, que deveria ser executado em 720 dias. A obra total conta ainda com o asfaltamento do bairro Jardim Vitória, ao custo de R$ 39, 1 milhões. 

O presidente do bairro Jardim Florianópolis, Aparecido Alves dos Santos, explicou que a população está desanimada com a situação: “A gente esperou por tanto tempo esse asfalto, quando parece que vamos conseguir, nada acontece”. De acordo com Cido, como é conhecido, a esperança é de que as obras sejam retomadas ainda este ano. 

A União Cuiabana de Associação de Moradores de Bairro (Ucamb) está acompanhando de perto a situação: “Temos buscado conversar com os moradores e com o Executivo, fazendo a ponte entre os dois, eles temem que a situação fique por isso mesmo”.

Por enquanto, a prefeitura está dando retoque nas vias que já haviam recebido algum tipo de mão de obra. Segundo Aparecido, para evitar lamas e atoleiros, cascalho está sendo colocado em algumas vias. 

A assessoria da prefeitura informou que as obras no Jardim Vitória estão sendo executadas e devem ficar prontas até o final do ano. Já nos outros dois bairros, uma nova empresa deve ser escolhida para tocar a obra. 

O secretário de Comunicação e Governo, Kleber Lima, defendendo o lado da prefeitura, ressaltou que os trabalhos nas ruas de Cuiabá com o programa Novos Caminhos já ultrapassou o maior investimento feito neste setor na década de 70, durante da gestão do prefeito Rodrigues Palma. Segundo ele, até o final da gestão de Mauro, serão entregues 300 quilômetros de asfalto novo. 

FISCALIZAÇÃO SENTIDA NO BOLSO

Depois de muito tempo desativado, o novo sistema de radares e fiscalização eletrônica voltou com força total e estima-se que já registraram mais de 150 mil multas. Dados do ano passado, entre outubro e dezembro de 2014, apontam que 51 mil autuações foram feitas. 

Se por um lado os radares têm mudado os hábitos dos cuiabanos, que resistiam em respeitar o limite de velocidade aplicado nas vias, por outro, muitas multas têm incomodado os motoristas.

A trabalhadora I.M., 53 anos, contou que só no último mês mais de cinco multas chegaram a sua residência. “Eu me assustei quando vi a quantidade. Quatro no mesmo local, uma dupla por dia e outra em um ponto da cidade que eu não sabia da existência de fiscalização”, lembrou. 

As multas dela foram registradas na Avenida Isaac Póvoas, onde os radares multam pelo excesso de velocidade e avanço do sinal vermelho. “Eu não sabia que o avanço de sinal também multava. Confesso que errei, mas o município falha em explicar as situações”. 

O fato aconteceu por volta do 12h de um feriado. Segundo ela, o trânsito no local estava bem parado e por isso se arriscou. Nessa brincadeira, a motorista precisou desembolsar R$ 350 para pagar pelas penalidades, além dos pontos perdidos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). 

O motociclista Egildo Teixeira passou por uma situação ainda mais complicada. Ele pilotava sua moto pelo entorno da Arena Pantanal, no dia de um jogo recente, realizado no local. Por conta do tumulto no dia, os agentes de trânsito que controlavam o trânsito mandaram vários motoristas e motociclistas realizarem ultrapassagem no sinal vermelho. O caso é que, algum tempo depois, Egildo recebeu uma multa gravíssima pelo ocorrido.

O Circuito Mato Grosso entrou em contato com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob), para buscar por dados atualizados do número de multas emitidas, bem como questionar investimentos e ações no setor. Até o fechamento, não houve retorno. 

Confira detalhes da reportagem do Jornal Circuito Mato Grosso

Redação

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Reportagens realizada pelos colaboradores, em conjunto, ou com assessorias de imprensa.

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