O mês de setembro encerrou com aproximadamente 341 mil consumidores adultos com restrição de crédito em Cuiabá, conforme levantamento do SPC Brasil estruturado para a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá). O volume representa um acréscimo de 3,03% na comparação com o mesmo período do ano anterior — índice situado abaixo das médias registradas na região Centro-Oeste (7,74%) e no cenário nacional (6,97%). Na variação mensal, o avanço da inadimplência na capital foi de 1,63% frente a agosto.
Perfil e tamanho da dívida em Cuiabá
O impacto financeiro no orçamento das famílias cuiabanas reflete-se no montante dos débitos: cada consumidor negativado na capital possui uma dívida média de R$ 6.673,19, somando todas as ocorrências registradas em seu CPF.
O estudo aponta que o endividamento não costuma ser isolado, registrando uma média de 2,54 contas em atraso por inadimplente — patamar superior aos índices do Centro-Oeste (2,49) e do Brasil (2,36). O total de débitos em aberto na capital experimentou alta de 9,74% em doze meses e de 3,21% de agosto para setembro.
Outro dado de destaque refere-se à antiguidade das pendências: o tempo médio de atraso é de 29,7 meses (quase dois anos e meio). A maior concentração de débitos está na faixa de um a três anos de atraso (34,42%), seguida pelos débitos com quatro a cinco anos (24,07%). Apenas 7,03% das dívidas venceram em um prazo de até 90 dias.
No tocante aos credores, o setor bancário concentra a maior fatia, com 62,35% das dívidas, seguido pelo comércio (14,46%), contas de água e luz (7,98%), comunicação (2,93%) e demais setores (12,28%).
Cenário estadual e recomendações de planejamento
Em todo o estado de Mato Grosso, o SPC Brasil estima cerca de 1,9 milhão de adultos inadimplentes, alta de 5,02% em relação a setembro de 2025 e de 1,82% sobre o mês anterior. Na região Centro-Oeste, o percentual de adultos com restrição de crédito alcança 48,74%, somando 6,47 milhões de pessoas. O total de dívidas em atraso em solo mato-grossense cresceu 11,22% em um ano.
Diante do cenário, o presidente da CDL Cuiabá, Júnior Macagnam, enfatiza a necessidade de controle orçamentário e busca por renegociações:
“Os números mostram que muitas pessoas estão há mais de dois anos com dívidas. Nossa mensagem é sempre pelo planejamento, a família precisa sentar, colocar no papel tudo o que entra e o que sai e definir o que é prioridade. Com o orçamento organizado, fica mais fácil separar uma parte da renda para quitar o que está atrasado, procurar a renegociação antes que a dívida cresça e evitar usar o crédito para cobrir gasto do dia a dia”, pontuou.


