Algumas coisas estranhas aconteceram nestas eleições de 2026.
Começa com os dados fornecidos pelos institutos de pesquisas eleitorais. No primeiro turno (04/10), havia um certo consenso entre eles de que o Lula venceria. As estimativas variavam entre dois e quatro pontos percentuais, sempre favoráveis à esquerda.
Contados os votos, vimos que a diferença era mais ou menos essa, só que a favor da direita.
Chegado o segundo turno, novas estimativas ocuparam os jornais e as televisões. Na véspera da votação, havia quase um consenso favorável à direita, com estimativas que iam de um a quatro pontos percentuais. A diferença chegou a quatro pontos, mas, de novo, em sentido contrário ao que previram os pesquisadores.
Não creio que tenha havido má-fé das empresas, tanto que erraram, da primeira vez para um lado e, da segunda, para outro. Duas coisas podem estar acontecendo: a dinâmica social pode estar tornando obsoletos os métodos de coleta de dados, ou, de repente, não é mesmo possível medir com alguma exatidão as preferências de um universo tão grande e desparelho de eleitores, com amostras tão pequenas.
Outra coisa. Esperava-se que, se o Lula ganhasse por pouco no primeiro turno (digamos, dois ou três pontos), o pleito estaria totalmente favorável ao Flávio, porque, no segundo, com a adesão dos eleitores dos demais candidatos de centro (Caiado, Zema, Augusto Cury e Renan Santos), a fatura estaria liquidada em favor da direita.
Partindo dessa lógica, quando terminou o primeiro turno com quatro por cento de vantagem, a ideia geral entre os eleitores do Flávio era de “macuco no embornal”, como diz o ditado rural, quando a parada está ganha.
Com a virada, surgem algumas dúvidas: como fica a situação do Alexandre de Moraes, que já estava com a “corda no pescoço” diante da predominância de senadores do PL na atual composição da Casa, mas agora volta a respirar com a reeleição do Lula?
O Indulto Presidencial que o Flávio daria ao pai após a eleição, agora seria substituído por uma manobra libertadora do Senado? Eventuais contestações dos ministros do Supremo seriam negociadas, livrando do processo de impeachment os togados, aliviando a barra do Jair?
Então ficamos assim: o Lula, mais faceiro que pinto no lixo, continua tomando whisky 21 anos no Palácio, e a Janja mantém o cartão corporativo com generoso limite, para suas glamourosas viagens. Degustando a cara bebida, o Presidente aciona o pessoal da economia para arrochar a turma que paga imposto, porque é preciso arrumar dinheiro para cumprir as promessas de benefícios para o povo, que ajudaram na sua reeleição.
Enquanto isso, o Jair, que esperava a liberdade com o indulto do Flávio, agora aguarda a boa vontade do STF de votar a lei da dosimetria da pena ou discutir eventual revisão criminal. Mas políticos e magistrados estão “chocando” um ovo mais promissor: o PL garante a reeleição do Alcolumbre, que, em contrapartida, apoia no Senado o indulto do ex-presidente.
Porventura o Supremo não impediria essa tramoia? Claro que não, desde que o Senado enterre de vez essa ideia “boba” de impeachment de ministros.
Renato de Paiva Pereira.


