O vaqueiro Adailton de Souza Alves foi condenado a 16 anos e quatro meses de prisão pelo feminicídio de Maria José Pereira da Silva, surpreendida enquanto limpava o quintal de casa e morta com um tiro no tórax que atravessou o coração. O crime ocorreu em setembro de 2017, em Nova Xavantina (645 km de Cuiabá), após o acusado, inconformado com o fim do relacionamento, ir até a residência da vítima armado. A condenação foi definida pelo Tribunal do Júri nesta terça-feira (20).
O Conselho de Sentença acolheu integralmente as teses do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), reconhecendo as qualificadoras de motivo fútil, recurso que dificultou a defesa da vítima e feminicídio em contexto de violência doméstica. A pena deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado. Ao fim da sessão, a Justiça expediu mandado de prisão contra o condenado, que participou do julgamento por videoconferência e é considerado foragido.
Conforme a denúncia, Adailton foi até a casa de Maria José, com quem havia mantido um relacionamento afetivo e de quem estava separado. Enquanto ela realizava atividades domésticas no quintal, ele sacou uma arma de fogo e atirou contra a vítima, que não teve tempo de reagir ou buscar proteção. Após o disparo, o acusado fugiu de motocicleta.
Segundo o Ministério Público, o crime foi motivado por ciúmes e pela inconformidade do vaqueiro com o término do relacionamento. Dias antes do assassinato, ele teria visto Maria José abraçando outro homem em um estabelecimento comercial pertencente à filha dela. Para a acusação, o episódio reforçou a motivação fútil do homicídio e o contexto de violência de gênero.
Após o crime, Adailton passou na casa de um amigo e seguiu para Campinápolis, descartando a arma utilizada no assassinato durante o trajeto. A acusação em plenário foi conduzida pelo promotor de Justiça Fábio Rogério de Souza Sant’Anna Pinheiro. A perícia confirmou que o tiro atingiu o tórax e atravessou o coração da vítima, causando sua morte.



