O julgamento dos policiais penais Fábio Domingos e Carlos Jesus de Oliveira, acusados de envolvimento no assassinato de Giovanni Henrique Oliveira Lopes, foi interrompido nesta terça-feira (13), após a defesa apresentar um relatório sigiloso que não constava nos autos em Primavera do Leste. O crime ocorreu em 1º de maio de 2018, em Poxoréu, quando, segundo a denúncia, a vítima foi perseguida após uma discussão durante um encontro de violeiros, invadiram a residência onde estava e foi morta com um tiro na cabeça, na frente do filho de 4 anos.
A decisão de dissolver o Conselho de Sentença foi tomada pela magistrada responsável pelo caso após a controvérsia sobre o documento apresentado pela defesa. Os advogados alegaram que o relatório havia sido anexado ao processo quando tramitava em Poxoréu, mas não foi encaminhado para Primavera do Leste após a transferência do julgamento. O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) contestou a utilização do material e pediu que fosse excluído ou não considerado durante a sessão.
De acordo com o promotor de Justiça Fabison Miranda Cardoso, do Grupo de Atuação Especial do Tribunal do Júri (GaeJúri), a apresentação do documento surpreendeu os participantes após a oitiva de testemunhas. Antes da interrupção, dez testemunhas haviam sido ouvidas em plenário. O novo julgamento foi marcado para 20 de janeiro de 2027, às 8h, quando será sorteado outro Conselho de Sentença e a sessão começará novamente, com a repetição dos depoimentos.
Além dos dois policiais penais, responde ao júri Josane Francisca Dias de Souza, esposa de Fábio, denunciada por disparo de arma de fogo. Conforme a acusação, ela teria atirado contra o veículo conduzido por Giovanni durante a discussão no estacionamento do evento. Fábio é apontado pelo Ministério Público como autor do disparo fatal, enquanto Carlos é acusado de participação no homicídio qualificado. Patrício Francisco Dias, também denunciado por envolvimento no crime, teve o processo extinto em razão de sua morte.
Segundo a denúncia, após o desentendimento, Fábio, Carlos e Patrício teriam perseguido Giovanni até uma residência e entrado no imóvel se apresentando como policiais. A vítima foi atingida na cabeça e morreu diante do filho pequeno. As acusações ainda serão submetidas ao Tribunal do Júri, que deverá analisar as provas e as teses da acusação e das defesas na nova data marcada.



