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Tribunal Regional Eleitoral cria salas de acolhimento para autistas durante eleições em Cuiabá

Eleitores de Cuiabá que estão dentro do espectro autista terão acesso a salas de acolhimento sensorial durante as eleições, em locais preparados para oferecer suporte em casos de ansiedade, crise ou necessidade de regulação emocional. A iniciativa faz parte do Projeto Voto Acolhedor, desenvolvido pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), e prevê espaços com assentos confortáveis, abafadores de ruído, iluminação suave, água e climatização. Profissionais voluntários da área da saúde, como médicos, psicólogos e enfermeiros, estarão disponíveis para o acolhimento.

Ao todo, nove locais de votação já estão confirmados para receber as salas em Cuiabá: Colégio Maxi, IFMT, Arena Pantanal, Escola Estadual Souza Bandeira, EMEB Professora Maria Ambrósio Pommot, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), SESI Escola, EMEB Maria Elazir Corrêa de Figueiredo e Escola Estadual Cívico-Militar Malik Didier Namer Zahafi. Outros sete locais solicitaram a instalação, mas ainda estão em fase de recrutamento de voluntários. Até o momento, 25 profissionais da saúde foram convocados para atuar no projeto-piloto.

A estrutura também poderá ser utilizada por mães lactantes e pessoas que enfrentarem situações como crises de ansiedade e síndrome do pânico. Durante capacitação realizada nesta segunda-feira (21), o TRE-MT reforçou que o atendimento deve preservar a autonomia do eleitor e evitar exposição ou constrangimento. A orientação é que os profissionais saibam identificar as necessidades de cada pessoa e sigam protocolos específicos para o acolhimento, sem transformar o espaço em um serviço de atendimento médico.

A juíza auxiliar da Presidência do TRE-MT, Edna Ederli Coutinho, destacou que a iniciativa busca reduzir barreiras que possam dificultar a participação de pessoas neurodivergentes no processo eleitoral. O assessor-chefe de Gestão Estratégica, Gabriel Soares dos Santos, explicou que o treinamento serviu para orientar os voluntários sobre os procedimentos de abordagem e atendimento. Segundo ele, em casos que demandem atendimento médico, o presidente da mesa deverá acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).

Uma das participantes da capacitação foi a estudante Ana Keren Guibor de Araujo, de 17 anos, que está no espectro autista e votará pela primeira vez. Ela relatou que a pressão, o barulho, as filas e a sensação de estar sendo observada podem aumentar o estresse de pessoas neurodivergentes durante a votação. Para a estudante, a existência de um espaço de acolhimento pode estimular outros eleitores autistas a participar do processo eleitoral com mais tranquilidade.

A capacitação também contou com psicólogas e profissionais voluntários da área da saúde, que apresentaram orientações sobre possíveis situações de crise e formas de abordagem. A médica da Família Rafaela Cardoso, que possui pós-graduação em Saúde Mental, recomendou que eleitores neurodivergentes, quando possível, prefiram os horários mais cedo, quando os locais tendem a estar menos movimentados, e informem ao coordenador local sobre a necessidade de atendimento prioritário.

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