A líder de uma facção criminosa Angélica Saraiva de Sá, conhecida como “Angeliquinha”, foi capturada nesta terça-feira (22) em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, durante uma ação conjunta da Polícia Civil de Mato Grosso com a Polícia Boliviana. Apontada como uma das lideranças do grupo criminoso no extremo norte de Mato Grosso, especialmente em Alta Floresta e região, ela estava foragida desde agosto de 2025, quando fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá.
Angeliquinha possuía seis mandados de prisão em aberto, expedidos ao longo de 2026. Segundo a Polícia Civil, ela acumula mais de 260 anos em condenações por diferentes crimes, entre eles homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa. As investigações apontam que, mesmo foragida, ela mantinha influência sobre atividades criminosas na região de Alta Floresta, incluindo tráfico de drogas, extorsões e exploração de atividades ilícitas em áreas de garimpo.
Em março deste ano, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown para desarticular o núcleo familiar ligado à investigada. Na ocasião, foram cumpridas 31 ordens judiciais, incluindo quatro mandados de prisão, sete de busca e apreensão, seis sequestros de veículos, quatro de imóveis, sete bloqueios de contas bancárias e três suspensões de pessoas jurídicas. Entre os alvos estavam o pai, a filha e o genro de Angeliquinha, apontados como integrantes do grupo que dava suporte às atividades criminosas.
As investigações identificaram que o núcleo familiar movimentou mais de R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses, valores considerados incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos. Segundo a apuração, empresas e outros negócios eram utilizados para dar aparência de legalidade aos recursos obtidos com atividades criminosas. O grupo também é investigado pela exploração de garimpo irregular em Alta Floresta e Nova Bandeirantes, além de possíveis envolvimentos com extorsões e tráfico de drogas.
A localização da foragida na Bolívia foi possível a partir da troca de informações entre as forças de segurança dos dois países. A ação contou com equipes da Gerência de Combate ao Crime Organizado, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco) e da Gerência Estadual de Polinter (Gepol), em conjunto com a Polícia Boliviana.
Após a captura, serão adotados os procedimentos legais necessários para o retorno de Angeliquinha ao Brasil e o cumprimento das ordens judiciais contra ela. A prisão encerra mais de um ano de fuga da investigada, que, segundo as autoridades, utilizava a Bolívia como refúgio enquanto permanecia apontada como uma das principais lideranças da facção criminosa no norte de Mato Grosso.


