Trabalhadores dos Correios aprovaram em assembleias realizadas na noite desta quinta-feira (10) uma greve nacional por tempo indeterminado. Segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), sindicatos de todos os estados do país, incluindo Mato Grosso, aderiram à paralisação.
A decisão marca uma nova etapa da Campanha Salarial, após o encerramento das negociações entre a categoria e a direção da estatal sem a formalização de um acordo.
O Impasse: Plano de Saúde
O principal ponto de conflito que motivou o movimento grevista gira em torno do plano de saúde dos funcionários. De acordo com a Findect, a direção dos Correios pretende alterar o benefício, um tema considerado fundamental pelos trabalhadores. A entidade afirma que a categoria buscou uma solução mediada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) após sucessivas rodadas de negociação, mas a empresa manteve sua posição.
Por outro lado, a direção dos Correios declarou que buscou o acordo e apresentou uma proposta que contemplava 78 das 80 cláusulas do texto em vigor. A oferta da estatal incluía o reajuste de 100% do INPC sobre salários e benefícios (retroativo a 1º de agosto) e a garantia de manutenção da assistência à saúde dos empregados.
Plano de Contingência nas Agências
Em resposta à paralisação, os Correios informaram a imediata ativação de um “Plano de Continuidade de Negócios” para mitigar os impactos aos clientes em todo o Brasil.
A estratégia desenhada pela estatal inclui o remanejamento de equipes, reforço das atividades operacionais e a adoção de medidas logísticas específicas na tentativa de preservar a regularidade das entregas. Do lado dos trabalhadores, lideranças sindicais informaram que, até o momento, apenas os serviços administrativos internos operam com normalidade nas bases paralisadas.
Crise Financeira e Empréstimo Bilionário
A greve ocorre em um cenário financeiro extremamente delicado para os Correios. A empresa pública acumula 15 trimestres consecutivos de resultados negativos, registrando um rombo de R$ 5,6 bilhões apenas no primeiro semestre deste ano (embora os números do segundo trimestre já representem uma leve redução do prejuízo em comparação ao recorde negativo do início do ano).
Para equilibrar o caixa, a estatal espera receber, até o dia 15 de setembro, um novo empréstimo no valor de R$ 7 bilhões. Os recursos devem ser injetados por meio de um consórcio bancário formado pelas instituições estrangeiras Citibank, J.P. Morgan e Deutsche Bank, além do Banrisul. O modelo de capitalização é semelhante ao adotado no fim do ano passado, quando a empresa precisou tomar R$ 12 bilhões em empréstimos.


