Opinião Renato Paiva

 A proposta de Warren Buffett

Antes de classificar uma ideia como boa ou ruim, buscamos descobrir primeiro quem a desenvolveu. Se a fonte nos parece confiável, tendemos a concordar com ela; se duvidamos da origem, desprezamos a proposição. 

Em 1993, em um artigo no Washington Post, foi desenvolvida uma ideia que, resumida, é a seguinte: se o déficit federal americano ultrapassasse 3% do PIB, todos os deputados e senadores em exercício ficariam inelegíveis para a eleição seguinte.

Tal proposta seria considerada somente uma extravagância se o autor não fosse o bilionário Warren Buffett, ricaço mundialmente conhecido. O raciocínio dele é interessante porque não pretendia simplesmente proibir o déficit. Ele queria mudar o incentivo pessoal do político. Hoje, um parlamentar pode ganhar votos aumentando gastos ou reduzindo impostos, distribuindo o custo para a sociedade. Com a regra de Buffett, o parlamentar pagaria com mandato a imprudência ou irresponsabilidade de desperdiçar o dinheiro público. 

Em uma formulação mais elaborada posteriormente, Buffett falava em emenda constitucional, e não simplesmente numa lei ordinária. Todos os congressistas seriam atingidos, independentemente de terem votado a favor ou contra determinado gasto.

Se não bastasse o peso de Buffett, Elon Musk, o homem mais rico do mundo, aderiu à ideia recentemente. Em um vídeo, concordou com a ideia de Buffett e manifestou apoio explícito, escrevendo: “Esse é o caminho”.

Nestes dias em que o governo Lula esbanja benefícios para conseguir votos e manter-se no poder, a iniciativa de responsabilizar não só os parlamentares, mas, principalmente, presidentes, governadores e prefeitos pelo uso irresponsável do dinheiro público, mostra-se utilíssima, embora ingênua. 

Parece ingênua porque os políticos que governam e fazem as leis não permitiriam a implantação de tal medida. Mas não é impossível. Imaginem que alguns bilionários americanos, incorporando essa ideia de Buffett e Musk, resolvessem apoiar (financiar) parlamentares e candidatos favoráveis a ela. O dinheiro distribuído por eles nas campanhas, daria aos deputados e senadores escolhidos uma enorme vantagem eleitoral.

Se conseguissem lá na América do Norte, não faltariam aqui no Brasil banqueiros, industriais e empresários de todos os segmentos, igualmente descontentes com os gastos dos governos, que encampassem a ideia. 

Descartando ideologias, a maioria toparia a ideia, porque essa balda dos políticos de distribuirem a grana que não é deles nas campanhas eleitorais, não é exclusiva da esquerda; a direita faz a mesma coisa.  

Em 2022, o governo Bolsonaro também gastou uma fortuna buscando a reeleição: aumentou o auxílio a famílias de baixa renda; criou benefícios para caminhoneiros autônomos e taxistas; ajudou famílias pobres na compra de gás; deu gratuidade para idosos no transporte coletivo. 

O Lula, por sua vez, isentou do imposto de renda quem ganha até 5 mil reais; ampliou o auxílio-gás para famílias pobres e manteve o Bolsa Família. Também livrou parte dos consumidores carentes do pagamento de energia elétrica e criou um programa de crédito para compra de automóveis novos.

Se adaptássemos a ideia do Buffett para o Brasil, o presidente Lula, bem como senadores e deputados que avalizaram essa gastança, não poderiam candidatar-se nas próximas eleições. 

Renato de Paiva Pereira. 

Renato Paiva

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