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Operação Heritage reacende pressão por CPI na Assembleia Legislativa de Mato Grosso

A deflagração da Operação Heritage pela Polícia Federal (PF) reacendeu a pressão política nos corredores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI).

O requerimento, que voltou a circular com força no parlamento, já reúne sete assinaturas — restando apenas uma para atingir o quórum mínimo exigido para a leitura em Plenário.

Desgaste e articulação das bancadas

A ofensiva da oposição intensifica o desgaste sobre a gestão do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e atinge diretamente o grupo político do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil).

Na base governista, no entanto, a movimentação é vista com duras ressalvas. O deputado Diego Guimarães (Republicanos) defendeu cautela na análise do requerimento e classificou a manobra como eleitoreira.

“Óbvio, nós estamos a menos de 55 dias da eleição. Temos que cuidar muito para que isso não perca o foco de uma investigação séria para uma investigação meramente eleitoreira, com a finalidade de expor, criar factoides e talvez ser explorado por aqueles que são adversários do governo no pleito”, afirmou Guimarães.

Por outro lado, o deputado estadual Valdir Barranco (PT), um dos primeiros a assinar o documento, cobrou um posicionamento firme da Casa.

“A Assembleia Legislativa está devendo, é vergonhoso. Como que os nossos colegas deixam chegar a esse ponto? Ter que ter uma operação da Polícia Federal com decisão do Supremo num caso de corrupção escancarada que todo mundo aqui sabia? Os nossos deputados aqui que não assinaram ainda, espero que eles tenham consciência”, protestou Barranco.

Em uma posição intermediária, o deputado Júlio Campos (União) confirmou o avanço na coleta de assinaturas, mas questionou o alcance prático de uma CPI às vésperas do recesso, argumentando que a PF já adiantou o trabalho. “Quando a Polícia Federal bate no ‘toc-toc’ na sua porta, é porque já está com muito conteúdo, muito estudo, muita quebra de sigilo e descoberto muita coisa” pontuou Campos.

O alvo da investigação: A Operação Heritage

Autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e deflagrada na última quinta-feira (6), a Operação Heritage investiga um suposto esquema de favorecimento financeiro e desvio de verbas públicas envolvendo instituições bancárias e o pagamento de precatórios e contratos.

O foco central é um acordo homologado pelo Estado relativo a débitos da operadora Oi S.A., orçado em cerca de R$ 308 milhões.

A ofensiva da PF resultou no cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão e no bloqueio de bens de 61 pessoas físicas e jurídicas. Entre os alvos que tiveram os bens bloqueados estão a ex-primeira-dama Virgínia Mendes e seus três filhos, além do ex-secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, sua esposa, filha e genro.

Lucas Bellinello

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