O ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado, Mauro Mendes (União Brasil), manifestou-se neste domingo (9) sobre a Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal (PF) na última quinta-feira (6). Em sua defesa, Mendes apresentou uma série de documentos que, segundo ele, atestam a total regularidade do acordo de R$ 308,1 milhões firmado entre o Governo do Estado e a empresa de telefonia Oi S.A.
De acordo com o candidato, o acordo passou por rigorosas análises de diferentes órgãos de controle — como o Ministério Público de Contas (MPC), o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) e o Ministério Público Estadual (MPE) — entre 2025 e 2026, sem que nenhuma irregularidade ou prejuízo ao erário fosse apontada.
Críticas à PF e acusações de “golpe eleitoral”
Mauro Mendes criticou a condução da investigação pela Polícia Federal e acusou a corporação de ter feito um “copia e cola” de questionamentos levantados por seu adversário político, o ex-governador Pedro Taques (PSB), que também disputa uma vaga ao Senado.
“A Polícia Federal é uma instituição séria, mas dentro dela existem pessoas que podem falhar ou serem induzidas a erro. (…) O único objetivo de toda essa armação dos adversários é aplicar um golpe eleitoral a 60 dias das eleições”, declarou Mendes.
O ex-governador relembrou ainda um episódio de 2014, quando foi alvo de outra operação da PF que acabou sendo arquivada pela Justiça em 2017, afirmando que “agora acontecerá o mesmo”.
Os documentos apresentados pela defesa
Para rebater as suspeitas de que os fundos Royal Capital e Lotte Word teriam sido usados para desviar dinheiro para sua família e a do deputado federal Fábio Garcia, Mendes apresentou três manifestações oficiais de órgãos de controle:
- Ministério Público de Contas (Junho de 2025):O procurador-geral de Contas, Alisson Carvalho de Alencar, avaliou uma representação da deputada estadual Janaina Riva (MDB) e concluiu pela sua improcedência. O MPC atestou que o pagamento foi legítimo, seguiu os trâmites legais e que não havia indícios de fraude, irregularidades ou beneficiamento pessoal envolvendo os fundos citados.
- Tribunal de Contas do Estado (Março de 2026):O conselheiro Guilherme Maluf destacou que o acordo foi homologado pelo Tribunal de Justiça (TJMT) e gerou economia aos cofres públicos. A Oi e seus cessionários cobravam inicialmente R$ 583,4 milhões, mas o acordo fechou em R$ 308,1 milhões — uma economia superior a R$ 275 milhões. Maluf reconheceu a “vantajosidade econômica para o erário” e a regularidade do termo.
- Ministério Público Estadual (Março de 2026):Em resposta a uma ação movida por Pedro Taques, o subprocurador-geral de Justiça, Marcelo Ferra de Carvalho, manifestou-se contra o pedido para suspender o acordo. O documento do MPE defendeu a manutenção do termo por “ausência de elementos substanciais” e confirmou a existência de análises técnicas que já haviam descartado qualquer dano ao patrimônio público.
Ao divulgar o dossiê, Mauro Mendes reiterou que a Operação Heritage é uma “armação da velha política” para tentar vencer a eleição no “tapetão”, interferindo diretamente no processo democrático.


