O crescimento da produção de suínos e os recordes nas exportações brasileiras de carne suína não têm sido suficientes para garantir rentabilidade aos produtores de Mato Grosso. Com preços em queda, custos de produção ainda elevados e consumo interno limitado, o setor enfrenta um dos cenários econômicos mais desafiadores dos últimos anos. O tema foi debatido durante o 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso, promovido pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).
Durante o evento, o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer, apresentou um panorama da atividade e destacou que, apesar da expansão do rebanho e da produção no Estado, a renda dos produtores segue pressionada. Segundo ele, após a virada do ano, os preços pagos pelo quilo do suíno registraram forte retração, reduzindo significativamente as margens da atividade.
De acordo com Gauer, a leve queda nos custos de produção, impulsionada principalmente pela redução do preço do milho, não foi suficiente para compensar a desvalorização da carne suína. O especialista afirmou que a atividade vive um dos piores resultados econômicos da série histórica em Mato Grosso, situação que preocupa especialmente produtores com financiamentos e investimentos em andamento.
Outro fator que limita a recuperação da rentabilidade é a baixa participação das exportações na produção estadual. Embora o Brasil registre embarques recordes de carne suína, apenas cerca de 15% da produção de Mato Grosso é destinada ao mercado externo, fazendo com que a maior parte da oferta permaneça no mercado interno e mantenha pressão sobre os preços pagos ao produtor.
O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins, avaliou que o momento exige maior eficiência dentro das granjas. Durante palestra sobre custos de produção e perspectivas para 2027, ele destacou que os produtores precisam investir em gestão, controle de desperdícios e melhoria dos processos para enfrentar o cenário de margens reduzidas. Também defendeu ações para estimular o consumo da carne suína e ressaltou a importância da biosseguridade para manter a competitividade da cadeia produtiva.
Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, discutir custos, mercado e rentabilidade tornou-se essencial diante dos desafios enfrentados pelo setor. Segundo ele, o simpósio buscou aproximar os produtores de informações técnicas e econômicas que auxiliem na tomada de decisões e contribuam para manter a competitividade da suinocultura mato-grossense nos próximos anos.



