O Governo de Mato Grosso confirmou, nesta quinta-feira (25), que irá repassar recursos e realizar uma intervenção financeira em Várzea Grande para tentar solucionar, de uma vez por todas, a crise no abastecimento de água no município. O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) classificou a situação da cidade vizinha à capital como uma “mazela primitiva” e afirmou que o Estado não assistirá mais ao problema passivamente.
A negociação visa reforçar as operações do Departamento de Água e Esgoto (DAE), autarquia que há anos enfrenta um colapso administrativo e técnico.
“Estado desenvolvido não pode conviver com isso”
Pivetta destacou que a crise hídrica em Várzea Grande, que abriga cerca de 350 mil mato-grossenses, é um entrave para o desenvolvimento do próprio Estado, que se projeta nacionalmente como uma potência.
“Como um estado vai se apresentar para o país e para o mundo como um estado desenvolvido se, do lado da capital, nós temos uma cidade com 350 mil irmãos mato-grossenses que têm necessidades básicas não supridas ainda? Nós não vamos mais assistir a essa história passivamente. Agir significa ajudar a fazer ou fazer, porque nós somos do fazimento”, declarou o governador.
O gargalo crônico: infraestrutura e gestão
Apesar da construção de novas Estações de Tratamento de Água (ETAs), como as unidades do Cristo Rei e do Pari, a água não chega às torneiras de grande parte da população. O problema concentra-se na rede de distribuição, que sofre com:
- Infraestrutura obsoleta: Tubulações antigas e sucateadas.
- Perdas físicas: Alto índice de desperdício de água tratada antes de chegar ao destino final.
- Crise administrativa: O DAE é alvo constante de denúncias, investigações por órgãos de controle e CPIs na Câmara Municipal, enfrentando um histórico de baixa eficiência técnica, alto endividamento e suspeitas de fraudes em faturas.
Para muitos moradores, o drama é diário. O sistema de rodízio é ineficiente e bairros inteiros permanecem por dias — e, por vezes, semanas — sem qualquer acesso à água potável. Diante do esgotamento da capacidade da gestão municipal em resolver o impasse de forma isolada, a intervenção estadual surge como a última alternativa para evitar o colapso total do serviço de saneamento na segunda maior cidade de Mato Grosso.



