O ex-governador de Mato Grosso e pré-candidato ao Senado, Mauro Mendes (União), reagiu com indignação à notícia de que estaria sendo investigado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). A apuração, revelada nesta quarta-feira (24) pelo jornal O Globo, investiga possíveis irregularidades no credenciamento do Banco Master para operar cartões de crédito consignados para servidores públicos estaduais.
Em nota oficial encaminhada à imprensa, Mendes classificou o caso como uma “conspiração política” e questionou o momento em que a informação, que deveria tramitar em sigilo, veio a público.
“O vazamento dessa suposta investigação foi seletivo, jogando uma névoa de dúvidas sobre a minha reputação. Isso cheira a conspiração política, tendo em vista que a notícia circulou exatamente no dia seguinte à confirmação da minha pré-candidatura ao Senado”, disparou o ex-governador.
O contexto do Banco Master
O Banco Master e outras fintechs ligadas ao empresário Daniel Vorcaro viraram alvo das autoridades após a descoberta de um esquema de fraude no sistema financeiro, o que resultou na liquidação da instituição pelo Banco Central.
Vorcaro, que chegou a tentar vender o banco para um fundo estrangeiro sem sucesso, foi preso ao tentar fugir do país. Atualmente, o ex-banqueiro negocia um acordo de delação premiada com o Supremo Tribunal Federal (STF).
Os argumentos da defesa
Para rebater as suspeitas de favorecimento à instituição de Vorcaro em Mato Grosso, Mauro Mendes elencou uma série de argumentos técnicos e administrativos. Segundo ele, o credenciamento seguiu rigorosamente a legalidade:
- Autoria do PT: O decreto que aumentou a margem consignável para o cartão-benefício dos servidores, editado em maio de 2023, nasceu de uma indicação aprovada na Assembleia Legislativa (ALMT) de autoria de um deputado estadual do Partido dos Trabalhadores (PT).
- Falta de exclusividade: O Master não teve nenhum tipo de monopólio. Ao todo, 24 instituições financeiras foram credenciadas pelo Estado para fornecer o cartão, e o Master sequer foi o primeiro a ser aprovado.
- Atuação nacional: O ex-governador destacou que antes de Mato Grosso, pelo menos outros 16 estados brasileiros já possuíam convênios com o Banco Master (chegando a 22 no total).
- Perseguição: “Causa estranheza que apenas Mato Grosso esteja sendo alvo de uma suposta apuração por uma prática totalmente lícita”, questiona a nota.
Ameaça de processo por “fake news”
Mendes encerrou seu posicionamento subindo o tom contra rumores recentes de que possuía laços pessoais com o ex-banqueiro investigado.
Ele classificou como fake news a informação de que teria participado de um jantar com Daniel Vorcaro em Nova York. “Uma grande mentira e todos que a espalharam serão responsabilizados”, finalizou o pré-candidato, prometendo levar o caso à Justiça.


