Startup premiada pela Sociedade Rural do Paraná avança para transformar ciência em produto comercial
A startup mato-grossense NanoGrow, fundada por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), avança no desenvolvimento de insumos nanotecnológicos inovadores e sustentáveis para o agronegócio. Nesta etapa, os estudos estão concentrados em experimentos com tomate, alface, pastagem e soja, segundo a Diretora Dra. Adriana Cardoso.
De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na safra 2024/25 o Brasil liderou a produção mundial de soja, com 171,5 milhões de toneladas. Mato Grosso respondeu por aproximadamente 30% desse total, com uma produção de 51,3 milhões de toneladas.
É nesse cenário que a nanotecnologia desenvolvida pela NanoGrow busca contribuir para o aumento da produtividade de forma sustentável. A tecnologia utiliza processos que permitem controlar a matéria em escala nanométrica — um nanômetro é cerca de 80 mil vezes menor que a espessura de um fio de cabelo. Nessa dimensão, os insumos apresentam propriedades diferenciadas e maior eficiência quando comparados aos produtos convencionais utilizados atualmente, destaca o Prof. Dr. Ailton Terezo, um dos fundadores da startup.
Estudos mostram resultados animadores
Segundo Terezo, os resultados iniciais são promissores. Em experimentos com alface, foi observado um aumento de 15% na massa fresca da parte aérea, enquanto o tomate saladete apresentou crescimento de aproximadamente 20% no número de frutos.
O pesquisador destaca que a nanotecnologia pode contribuir diretamente para a produção de alimentos, auxiliando no combate à fome e na melhoria da nutrição da população. Os testes foram conduzidos por consultorias especializadas e cadastradas junto ao Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).
Empresa já é destaque nacional
Nascida em Mato Grosso, a NanoGrow trabalha no desenvolvimento de produtos nanotecnológicos voltados ao aumento da produtividade e da rentabilidade dos produtores rurais. O reconhecimento da startup também já chegou ao cenário nacional.
Em 2025, a empresa foi a grande vencedora da categoria de pós-graduação do hackathon realizado durante a ExpoLondrina, uma das maiores feiras agropecuárias do país, promovida pela Sociedade Rural do Paraná. A competição reuniu 22 equipes e premiou a NanoGrow como o projeto mais promissor da categoria, garantindo ainda sua participação no programa de aceleração Go SRP Agritech, voltado ao desenvolvimento de soluções inovadoras para o agronegócio.
Os ensaios realizados com produtos à base de nanocarbono demonstraram resultados positivos também para a pecuária.
Resultados comprovados em diversas culturas
Em áreas de pastagem de braquiária, o ganho médio registrado foi de 13,6% na massa seca da parte aérea (MSPA), que corresponde ao alimento consumido pelos bovinos. O resultado representa maior disponibilidade de volumoso para a nutrição animal em um Estado que possui o maior rebanho bovino do Brasil, com cerca de 34 milhões de cabeças de gado.
Na soja, os experimentos registraram ganhos de até 3,55 sacas por hectare em cultivares de alto potencial produtivo, em testes realizados em Rio Verde (GO). Em Mato Grosso, os incrementos chegaram a 2,3 sacas por hectare na região de Primavera do Leste e 2,2 sacas por hectare em Lucas do Rio Verde.
Considerando a cotação da soja em R$ 107 por saca, a lucratividade adicional pode alcançar aproximadamente R$ 300 por hectare, no cenário mais favorável.
Segundo o pesquisador, os resultados obtidos em condições reais de campo demonstram que as plantas respondem positivamente à nanotecnologia sustentável desenvolvida pela startup.
Em breve nas fazendas
Na próxima fase de crescimento, a NanoGrow pretende consolidar uma plataforma de produtos voltada à estimulação vegetal e à nutrição de precisão, atendendo desde a horticultura até culturas de larga escala. A meta é validar as tecnologias nas culturas de soja, milho, sorgo, algodão e cana-de-açúcar durante a safra 2026/27, com previsão de lançamento comercial dos produtos em 2028.
A iniciativa representa mais um exemplo de inovação desenvolvida a partir do conhecimento científico produzido nas universidades, com potencial para aumentar a produtividade, a sustentabilidade e a rentabilidade do agronegócio brasileiro.



