Inspeção em escola e almoxarifado revela que estudantes recebiam média 7 na disciplina mesmo sem computadores; livros didáticos da matéria custaram R$ 20 milhões e seguem encalhados
Uma auditoria conjunta realizada pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) e pela Prefeitura de Cuiabá identificou que estudantes da rede municipal de ensino receberam notas na disciplina de informática em seus boletins escolares, mesmo sem nunca terem assistido a uma única aula da matéria. A irregularidade foi constatada nesta quinta-feira (29) durante uma fiscalização presencial no almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação e nas dependências da Escola Municipal Francisco Pedroso da Silva, liderada pelo presidente da Corte de Contas, conselheiro Sérgio Ricardo, e pelo prefeito Abilio Brunini (PL).
De acordo com o relatório preliminar da vistoria, o lançamento sistemático de notas — fixadas em média 7 na maioria dos documentos analisados — ocorria de forma padronizada em diversas unidades de ensino que sequer possuem laboratórios, computadores ou qualquer suporte de tecnologia da informação apropriado para a execução das atividades pedagógicas. O conselheiro Sérgio Ricardo criticou severamente o procedimento administrativo, classificando o episódio como uma grave distorção metodológica, e garantiu a abertura imediata de um procedimento de apuração formal para investigar a falsidade ideológica e os critérios de avaliação adotados pela rede pública.
Além da fraude nos boletins eletrônicos, as equipes técnicas de controle externo flagraram um lote massivo de material didático específico de informática estocado e sem utilidade prática no almoxarifado central. Os livros foram adquiridos por meio de contratos que superam o montante de R$ 20 milhões e permanecem empilhados em paletes devido à total falta de infraestrutura física e de conectividade nas escolas para a aplicação do conteúdo programático contido nas apostilas.
O prefeito Abilio Brunini eximiu os diretores e o corpo docente das escolas de responsabilidade direta pelo lançamento das notas falsas, argumentando que as secretarias das unidades apenas cumpriram ordens, ofícios e diretrizes curriculares emanadas pelo setor pedagógico da própria Secretaria Municipal de Educação em gestões anteriores. O chefe do Executivo cuiabano assegurou o recolhimento e a entrega imediata de todo o acervo documental, comunicações internas e registros eletrônicos do sistema integrado de notas ao TCE-MT para subsidiar o inquérito administrativo e identificar os mentores intelectuais da medida.



