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TCE abre investigação sobre compra de livros após embate entre Abilio e ex-secretário de Educação

Após a troca de acusações envolvendo o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, e o ex-secretário municipal de Educação, Amauri Monge, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT) anunciou que vai investigar supostas irregularidades na compra de material didático pela Secretaria Municipal de Educação e também pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc). O anúncio foi feito nesta quinta-feira (28) pelo presidente da Corte, conselheiro Sérgio Ricardo.

O tema foi discutido durante reunião realizada na sede da Prefeitura de Cuiabá. Segundo Sérgio Ricardo, o Tribunal irá solicitar informações detalhadas sobre as aquisições realizadas entre 2025 e 2026, incluindo valores pagos, contratos e empresas fornecedoras. “Os valores, a forma com que foram feitos os pagamentos e o fornecimento desses livros pelas mesmas empresas me chama muito a atenção”, afirmou o conselheiro.

A investigação ganhou força após a Prefeitura de Cuiabá anunciar a abertura de uma auditoria conjunta com a Controladoria-Geral do Município (CGM), apontando possível rombo superior a R$ 80 milhões. Entre os indícios apresentados pela gestão municipal estão livros adquiridos por valores considerados elevados, chegando a quase R$ 1 mil por unidade e outros títulos na faixa de R$ 370.

Durante a reunião, Sérgio Ricardo afirmou que pretende verificar pessoalmente o material adquirido e ouvir professores da rede municipal. Segundo ele, a análise vai além da documentação. “Quero ver os livros, as quantidades, os valores e conversar com os professores para entender como eles compreenderam esse material e por que ele foi adquirido”, declarou.

Em meio à repercussão do caso, Abilio Brunini rebateu críticas feitas pelo ex-secretário Amauri Monge, que acusou a atual gestão de usar a investigação como “cortina de fumaça” para problemas fiscais do município. O prefeito negou irregularidades por parte da Procuradoria e do setor de licitação e afirmou que as decisões sobre a escolha dos materiais cabiam à Secretaria de Educação.

Brunini relatou que começou a desconfiar dos contratos ainda no fim de 2024, quando a prefeitura precisava cumprir o índice constitucional mínimo de investimentos em educação. Segundo ele, a preocupação aumentou após pagamentos milionários realizados às vésperas do início das aulas. “Foram pagos R$ 21 milhões em livros na véspera da volta às aulas, e o cara estava na Espanha. Ele pagou R$ 21 milhões em livro, foi para a Espanha e deixou a gente aqui se ferrando para poder arrumar as escolas”, afirmou.

O presidente do TCE-MT também informou que a apuração deverá alcançar a rede estadual de ensino. Conforme Sérgio Ricardo, existe uma “correlação muito forte” entre as aquisições de material didático feitas pela Prefeitura de Cuiabá e pela Seduc. O Tribunal pretende analisar os contratos e os investimentos realizados pelo Estado no contexto da evolução dos indicadores educacionais apresentados nos últimos anos.

joaofreitas

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