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Ex-secretário rebate Abilio na Câmara e acusa prefeitura de ‘pedalada’ de R$ 100 milhões na Educação

Em depoimento, Amauri Monge nega superfaturamento em livros, classifica auditoria como distração e afirma que pasta enfrenta colapso financeiro

O ex-secretário municipal de Educação de Cuiabá, Amauri Monge, acusou formalmente a gestão do prefeito Abilio Brunini (PL) de cometer uma “pedalada fiscal” superior a R$ 100 milhões no decorrer do ano passado. O depoimento foi prestado nesta quinta-feira (28), na tribuna da Câmara de Vereadores. Segundo Monge, a prefeitura desviou verbas carimbadas e obrigatórias da área pedagógica para cobrir outras despesas do município sem a devida autorização legal.

O comparecimento do ex-gestor ao Legislativo ocorreu após convite dos parlamentares para que ele esclarecesse a auditoria divulgada por Brunini na quarta-feira (27), que apontava indícios de superfaturamento de R$ 80 milhões em materiais didáticos. Na tribuna, Monge rebateu as acusações e classificou as suspeitas levantadas pelo prefeito como uma manobra política para desviar o foco dos problemas orçamentários enfrentados pelo Palácio Alencastro.

Monge argumentou que a Secretaria de Educação cumpriu formalmente a aplicação do índice mínimo de 25% das receitas determinado pela Constituição Federal, assegurando a regularidade jurídica para evitar a inelegibilidade do prefeito. No entanto, o ex-secretário alegou que o dinheiro não foi repassado fisicamente ao caixa da pasta, resultando no inadimplemento de fornecedores contratados e colocando empresas prestadoras de serviço em risco de falência.

De acordo com o depoimento, as irregularidades no fluxo do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e de repasses federais foram documentadas e repassadas ao secretário de Economia, Marcelo Bussiki, ao contador-geral do município e à Comissão de Educação da Câmara — integrada pelos vereadores Mário Nadaf (PV), Michelly Alencar (União Brasil) e Daniel Monteiro (Republicanos). Monge pontuou que o desabastecimento financeiro e o colapso administrativo da capital foram os reais motivos de sua saída do cargo.

A manifestação repercutiu entre os vereadores e deve motivar novas frentes de fiscalização por parte dos órgãos de controle externo. Procurada para se manifestar sobre as acusações de pedalada fiscal e retenção de orçamento da pasta de Educação feitas pelo ex-secretário, a assessoria de imprensa do prefeito Abilio Brunini informou que a gestão emitirá um posicionamento oficial em breve.

Lucas Bellinello

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