Ofensiva autorizada pelo STF cumpre mandados contra empresários conhecidos como “Golden Boys”; associações inseriam cobranças indevidas em contracheques de aposentados
A Polícia Federal (PF), em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta quarta-feira (27) uma nova etapa da Operação Sem Desconto. A apuração foca em uma organização criminosa suspeita de operar um esquema de cobranças associativas não autorizadas diretamente nos contracheques de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os alvos prioritários estão jovens empresários do setor financeiro e de tecnologia, apelidados de “Golden Boys”, que gerenciavam as entidades envolvidas.
As investigações apontam que o grupo estruturou uma rede de associações de benefícios que, juntas, arrecadaram aproximadamente R$ 700 milhões por meio de filiações fraudulentas. De acordo com os relatórios da CGU, as entidades sob suspeita utilizavam empresas de tecnologia da informação para operar sistemas próprios de autenticação, fraudando biometrias e assinaturas eletrônicas para validar contratos sem o consentimento ou conhecimento dos segurados. Cerca de 98% dos dados de Cadastro de Pessoas Físicas (CPFs) acessados pelo grupo pertenciam a cidadãos já falecidos.
Os mandados de busca e apreensão e as medidas cautelares de monitoramento eletrônico foram autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e cumpridos no Distrito Federal e nos estados de São Paulo, Pernambuco e Paraíba. O monitoramento financeiro identificou que os recursos obtidos com as taxas sindicais e associativas eram lavados e repassados para contas de passagem, fintechs e empresas do ramo imobiliário pertencentes aos próprios investigados ou a familiares, financiando patrimônios de luxo na Grande São Paulo.
O modelo de atuação do esquema consistia na formalização de Termos de Cooperação Técnica junto ao INSS. Esses convênios oficiais permitiam que as entidades realizassem os débitos mensais automáticos na folha de pagamento das vítimas sob a justificativa de prestação de serviços assistenciais, que nunca ocorriam na prática. O inquérito apura os crimes de constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário, inserção de dados falsos em sistemas oficiais e ocultação de bens e valores.


