Prefeito Abilio Brunini afirma que auditoria encontrou indícios de superfaturamento e volumes produzidos por inteligência artificial; caso foi encaminhado a órgãos federais e estaduais
A Prefeitura de Cuiabá instaurou uma auditoria interna para apurar indícios de irregularidades e suposto superfaturamento em contratos de aquisição de livros e materiais didáticos pela Secretaria Municipal de Educação (SME). De acordo com o prefeito Abilio Brunini (PL), o impacto potencial aos cofres públicos do município pode atingir R$ 80 milhões. A suspeita foi divulgada pelo chefe do Executivo em vídeo publicado em suas redes sociais nesta quarta-feira (27).
As auditorias apontam que os processos sob suspeição foram iniciados durante a gestão do ex-secretário de Educação, Amauri Monge. O ex-gestor responde a processo por improbidade administrativa e enriquecimento ilícito no estado do Paraná, sob acusação de desvios na compra de materiais pedagógicos no ano de 2018. À época da nomeação de Monge em Cuiabá, Brunini havia minimizado o histórico jurídico do secretário, classificando a denúncia paranaense como frágil.
O monitoramento dos gastos contratuais foi intensificado após o atual secretário da pasta, Reginaldo Teixeira, assumir o cargo e identificar despesas atípicas na compra de volumes didáticos. Conforme o relato do prefeito, as equipes de controle identificaram e bloquearam um pedido de compra no qual cada unidade de livro didático estava precificada em R$ 800. No entanto, uma aquisição anterior, orçada em R$ 20 milhões, já havia sido concretizada e paga pela administração municipal.
Além do valor considerado incompatível com os parâmetros de mercado, a prefeitura levantou suspeitas sobre a qualidade técnica e a autoria dos conteúdos fornecidos. A análise preliminar dos materiais aponta indícios de que os livros foram desenvolvidos por meio de ferramentas de inteligência artificial (IA), sem a devida justificativa técnica para o custo cobrado.
A Controladoria-Geral do Município acompanha o caso e suspendeu preventivamente novos pagamentos relacionados aos contratos de materiais didáticos. Diante dos indícios coletados, Brunini informou que encaminhou o relatório preliminar e as suspeitas de fraude a órgãos externos de fiscalização e persecução penal, incluindo o Ministério Público do Estado (MPE), o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal e a Polícia Civil de Mato Grosso.


