O sistema penitenciário de Mato Grosso deu um passo decisivo em direção à modernização humanitária nesta quinta-feira (23 de abril de 2026). A Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) inaugurou a fábrica e oficina-escola de costura na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. O projeto, fruto de uma parceria com a Fundação Nova Chance (Funac), representa um investimento de R$ 6,8 milhões e promete mudar a face do cárcere feminino na capital.
Estrutura de Primeiro Mundo Longe de ser uma oficina improvisada, o novo espaço foi planejado como uma unidade industrial completa. São 91 máquinas de costura novas, adquiridas pela Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária (Saap), distribuídas em uma planta que inclui estoque de matéria-prima, armazenamento de produtos acabados, refeitório e área de descanso. A estrutura visa simular o ambiente real de uma confecção, preparando as internas para o mercado de trabalho convencional.
Capacitação e Multiplicação A metodologia de trabalho foca na sustentabilidade do conhecimento. O Senai já capacitou as primeiras 20 internas, que agora assumem o papel estratégico de multiplicadoras. Elas serão responsáveis por transmitir a técnica às demais colegas, ocupando as 120 vagas de trabalho remunerado disponíveis. Com uma jornada de oito horas diárias, as reeducandas ganham não apenas o salário, mas o direito à remição de pena pelo trabalho.
Sinergia com a Educação O impacto da fábrica extrapola os muros da penitenciária. Toda a produção será voltada para a confecção de uniformes escolares da Rede Estadual de Ensino. Essa integração cria um ciclo virtuoso: o Estado economiza na compra de uniformes, as internas ganham profissão e renda, e a sociedade recebe de volta cidadãs mais preparadas e menos propensas à reincidência.
“Essa fábrica é um exemplo concreto de como o trabalho e a qualificação podem mudar trajetórias, oferecendo dignidade e preparando essas mulheres para uma nova realidade fora do cárcere”, afirmou o secretário de Justiça, Valter Furtado Filho.
Para a diretora da unidade, Keily Marques, o dia 23 de abril marca uma mudança de narrativa. Ao oferecer oportunidades a mais de metade da população carcerária da unidade, Mato Grosso prova que o sistema prisional pode, sim, ser um lugar de celebração da esperança e da transformação humana por meio do esforço produtivo.


