A Polícia Rodoviária Federal (PRF) desferiu um golpe significativo na logística do tráfico de drogas na madrugada do último sábado (14), no quilômetro 741 da BR-070, em Cáceres. Durante uma fiscalização de rotina, agentes interceptaram um caminhão-tanque Volvo/FH 440 que transportava 248 kg de pasta base de cocaína, revelando um método sofisticado de ocultação sob resíduos de emulsão asfáltica.
A Inconsistência como Gatilho
O flagrante ocorreu por volta das 4h da manhã. Ao ser abordado, o motorista apresentou uma narrativa comum: o veículo estaria vazio após descarregar 20 mil litros de asfalto em Comodoro. Contudo, a análise minuciosa da documentação fiscal revelou divergências de peso e rota que não condiziam com o estado declarado do veículo. Essa “falha” documental foi o estopim para uma busca avançada.
Extração Complexa e Apoio Tático
A camuflagem utilizada era de alta complexidade. Os tabletes de pasta base estavam submersos no material asfáltico restante no fundo do tanque, o que dificultava a detecção visual e olfativa. Para acessar a carga ilícita, a PRF precisou do suporte do Corpo de Bombeiros, que utilizou equipamentos de corte para romper a estrutura de aço do caminhão, permitindo a retirada segura dos pacotes.
O Eixo da Fronteira e o Mercado de Destino
O motorista, preso em flagrante, admitiu ter recebido a droga em Comodoro, região estratégica próxima à fronteira com a Bolívia. O destino final seria o estado de São Paulo, um dos principais centros de consumo e redistribuição do país.
Este caso reafirma a tendência observada em 2026 de utilização de veículos de transporte de produtos químicos e asfálticos como ferramenta de ocultação, aproveitando a dificuldade de inspeção interna desses tanques. A ocorrência foi encaminhada à Polícia Civil de Cáceres, que agora busca identificar a organização criminosa responsável por financiar o transporte de quase um quarto de tonelada de entorpecentes.


