O assassinato da adolescente Estefane, de 17 anos, cujo corpo foi encontrado nesta quarta-feira (11) no Córrego Vassoura, em Cuiabá, expõe uma das faces mais críticas da segurança pública: a reincidência de indivíduos com perfis de extrema violência. O principal suspeito, seu irmão Marcos Pereira Soares, não é apenas um infrator comum, mas um indivíduo com uma ficha que percorre quase todos os tipos penais de gravidade elevada.
A Cena do Crime e o Modus Operandi
O corpo da jovem foi localizado em uma configuração que sugere planejamento para dificultar o encontro do cadáver. Estefane estava submersa, com os membros amarrados às raízes de uma árvore e uma pedra de grande porte sobre as costas. Esta técnica de ocultação é característica de criminosos que buscam impedir a flutuação do corpo durante a decomposição. A DHPP agora investiga se o crime foi precedido por violência sexual, o que elevaria a tipificação para feminicídio qualificado com estupro.
Um Histórico de Sangue e Impunidade
O perfil de Marcos Pereira Soares é marcado por crimes de natureza hedionda:
- Homicídio de Severino Messias (2020): Marcos foi condenado em 2023 a 19 anos de prisão por este crime, onde a vítima foi morta com 27 facadas e enterrada nu em uma cova rasa.
- Homicídio de Familiar (2018): Suspeito de matar uma tia quando ainda era menor de idade.
- Ficha Extensa: Registros de roubo, tráfico, porte de arma, estupro de vulnerável e descumprimento de medidas protetivas da Lei Maria da Penha.
A Falha Sistêmica
O ponto que gera maior indignação nas autoridades e na sociedade é a cronologia jurídica. Em abril de 2023, Marcos foi condenado a um total de 24 anos de prisão (soma de homicídio e roubo). O fato de estar em liberdade em março de 2026 para cometer um novo assassinato contra a própria irmã levanta questionamentos urgentes sobre a execução penal e a progressão de regime para detentos com laudos de alta periculosidade.
Investigação em Curso
Marcos foi detido pela Polícia Militar enquanto caminhava no bairro CPA II, sem esboçar resistência física imediata. Ele foi conduzido à DHPP, onde o delegado responsável buscará identificar a motivação exata do crime. A perícia técnica no local do córrego e o laudo de necropsia serão as peças fundamentais para confirmar se o crime foi passional, motivado por desavenças familiares ou um novo surto de violência gratuita, padrão recorrente em sua trajetória criminosa.

