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Abilio Brunini propõe auxílio de R$ 700 para famílias vulneráveis

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), deu início nesta quinta-feira (12) a uma nova frente de política assistencialista com o envio do projeto de lei que institui o Aluguel Solidário. A proposta, que estabelece um repasse mensal de R$ 700,00, busca oferecer uma solução de transição para famílias que hoje habitam locais improvisados ou enfrentam risco iminente de despejo por vulnerabilidade extrema.

Análise da Demanda vs. Oferta

O projeto utiliza uma base de dados robusta para justificar a intervenção, cruzando informações do IBGE, CadÚnico e Bolsa Família. Entretanto, a análise técnica revela um gargalo significativo entre a necessidade diagnosticada e a cobertura inicial prevista no texto.

Indicador Social (Cuiabá)Dados Brutos (Famílias)
Famílias no Cadastro Único118.289
Renda per capita até R$ 218,0041.823
Famílias em domicílio particular improvisado1.053
Meta de beneficiários do projeto (2026)53

O Desafio da Escala: Embora o projeto identifique 1.053 famílias em situações de moradia precária (barracos, estruturas comerciais adaptadas, etc.), o limite de 53 benefícios para o primeiro ano sugere uma fase piloto ou uma restrição orçamentária severa no Fundo Municipal de Assistência Social (FMAS).

Mecanismos de Controle e Gestão

A gestão ficará sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Assistência Social, Direitos Humanos e da Pessoa com Deficiência (SADHPD). Para garantir que o recurso não seja desviado de sua finalidade, o projeto estabelece travas de fiscalização:

  • Exclusividade: O valor deve ser usado apenas para aluguel.
  • Comprovação: O beneficiário deve apresentar o comprovante de pagamento todos os meses para garantir a parcela seguinte.
  • Temporalidade: O auxílio não é vitalício, tendo um limite de prorrogação de 24 meses, reforçando seu caráter de “ponte” para a autonomia habitacional.

Trâmite na Câmara Municipal

Diferente de outras medidas recentes da gestão, o Aluguel Solidário não foi enviado em regime de urgência. Isso permite que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) analise detalhadamente a legalidade da inclusão dessas despesas no orçamento vigente.

  • Hoje (12/03): Leitura do projeto em plenário.
  • Terça-feira (17/03): Primeira votação de pareceres nas comissões.

A aprovação do projeto representará um marco na gestão de Abilio Brunini, ao tentar endereçar o déficit habitacional por meio de subsídios diretos ao mercado de locação, em vez da construção de conjuntos habitacionais, método que costuma ter execução mais lenta. A eficácia da medida, contudo, dependerá da capacidade do município de ampliar o número de vagas ao longo dos próximos exercícios fiscais.

Lucas Bellinello

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