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Petrobras tenta conter alta do petróleo após crise no Irã

O mercado global de energia vive dias de nervosismo extremo, e o reflexo chega diretamente às bombas de combustível no Brasil. Com o barril de petróleo Brent atingindo o pico de US$ 120 nesta segunda-feira (9) devido ao agravamento do conflito no Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz — por onde passa um quarto do suprimento mundial —, a Petrobras emitiu um comunicado estratégico reafirmando sua capacidade de “blindar” o mercado interno contra a volatilidade externa.

A Nova Estratégia Comercial O grande diferencial da Petrobras em 2026, comparado a crises anteriores, é o abandono da Política de Paridade Internacional (PPI). Desde 2023, a companhia passou a considerar as “melhores condições de refino e logística” internas. Isso significa que a estatal não repassa automaticamente cada dólar de alta no exterior para o consumidor brasileiro, criando um colchão de estabilidade que protege a economia contra surtos inflacionários imediatos.

O Efeito Donald Trump A montanha-russa de preços desta semana foi impulsionada pela diplomacia digital de Washington.

  • A Alta: O bloqueio de Ormuz por Teerã gerou o pânico inicial, elevando o custo da energia.
  • A Queda: Declarações de Trump sugerindo o fim das hostilidades fizeram o Brent recuar para patamares abaixo de US$ 100.
  • O Novo Alerta: Após o fechamento do mercado, o tom voltou a subir com ameaças de ataques que tornariam a “reconstrução do Irã impossível”, o que deve manter a pressão sobre os preços na abertura desta terça-feira.

Os Limites da Blindagem Apesar do otimismo da estatal, analistas do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo (Ineep) fazem uma ressalva importante: a Petrobras não é mais dona de todo o parque de refino nacional. Com a privatização de unidades como a RLAM na Bahia, o consumidor daquelas regiões fica exposto às decisões de empresas privadas que tendem a seguir estritamente o preço global. Além disso, o Brasil ainda depende da importação de gasolina e diesel, o que obriga a Petrobras a realizar ajustes eventuais para não comprometer sua própria saúde financeira.

Em resumo, a Petrobras atua hoje como um amortecedor, mas o tamanho do impacto que o motorista brasileiro sentirá dependerá da duração do bloqueio no Oriente Médio. Se a guerra se estender, a “margem de manobra” da estatal terá que ser testada contra a realidade de um mercado que ainda importa boa parte do que consome.

Lucas Bellinello

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