Do Borboletário à sala de aula, trajetórias femininas de quatro mulheres mostram como o trabalho no Polo Socioambiental Sesc Pantanal impacta positivamente o Pantanal e o Cerrado
Em qualquer lugar do mundo as mulheres se unem em torno de causas, buscando, muitas vezes, independência e protagonismo. No Polo Socioambiental Sesc Pantanal elas representam 54% dos quase 400 colaboradores e suas trajetórias se cruzam diariamente em diferentes áreas, da conservação da biodiversidade à educação, da pesquisa científica ao ecoturismo.
No Dia Internacional da Mulher, as histórias de quatro mulheres que atuam no Sesc Pantanal ajudam a revelar uma dimensão muitas vezes invisível do trabalho socioambiental, que no cotidiano, transforma propósito em ação. Elas conduzem visitantes no Hotel Sesc Porto Cercado, ensinam sobre sustentabilidade no Complexo Escolar Sesc Pantanal, contribuem para a experiência dos visitantes na cozinha do Parque Sesc Serra Azul e coordenam projetos que conectam ciência, conservação e ecoturismo.
Para Cristina Cuiabália, gerente-geral do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, esse é um movimento coletivo que se fortalece quando mais mulheres ocupam esses espaços. “Quanto mais mulheres estiverem à frente do que desejam fazer, mais espaços abrimos para as outras também estarem onde quiserem”, afirma. No caso do trabalho na natureza, ela comenta que cuidar da natureza é trazer o futuro para perto. “Trabalhamos hoje, visando um tempo que talvez nem estaremos mais aqui para ver. A conservação é também um exercício de generosidade., um ato com o outro, com o mundo e com todas as formas de vida”.
O primeiro contato da Cristina com o Pantanal foi ainda jovem, quando acompanhava a mãe, professora, em atividades com alunos pela região da Transpantaneira. Foi ali que percebeu a dimensão do bioma que hoje ajuda a proteger. “Aquela paisagem exuberante, completamente diferente de tudo que eu conhecia, me encantou. E minha mãe ia explicando como cada elemento se conectava, a água, as árvores, os animais, as pessoas. Aquilo ficou marcado”, lembra.
De estagiária à gerente-geral do Sesc Pantanal, a bióloga, Mestre em Geografia pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e Doutora em Ciência Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP), acompanhou momentos desafiadores, como o enfrentamento dos incêndios florestais em 2020 na maior Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) do país, a RPPN Sesc Pantanal, localizada em Barão de Melgaço (MT) “A natureza mostra que sempre existe um caminho. Mesmo nas situações difíceis, há soluções quando a gente respeita o tempo, trabalha junto e aprende com o ambiente”, completa Cristina, ao dizer que a resiliência é uma das principais lições que o Pantanal e o Cerrado ensinam diariamente.
Entre borboletas e aprendizados
No Hotel Sesc Porto Cercado, em Poconé (MT), a educação ambiental também passa pelo Borboletário e pela trajetória da monitora ambiental Leonite Mendes dos Santos. A primeira lembrança dela com a natureza é de correr atrás de borboletas azuis na beira de um córrego, quando ainda era criança. Anos depois, sua trajetória com as borboletas a ajudou a ter uma renda e realizar sonhos.
Antes de trabalhar no Sesc Pantanal, Leonite integrou a Associação de Criadores de Borboletas de Poconé (ACBP), onde aprendeu sobre o ciclo de vida desses insetos e sua importância para o equilíbrio da natureza. No Borboletário, ela compartilha esse conhecimento com visitantes, especialmente crianças, mostrando como cada espécie tem um papel no ambiente. “Quando a criança entende isso desde pequena, ela passa a respeitar mais a natureza”, diz.
Entre as espécies que mais admira está a borboleta monarca, conhecida pelas longas migrações. Leonite se identifica com ela. “Ela se adapta a diferentes lugares. Acho que tenho um pouco disso também”, afirma. Para ela, trabalhar com borboletas representa liberdade e conquista. “Tudo que eu tenho foi com o dinheiro do meu trabalho”, conclui, ao lembrar da casa que conseguiu comprar com o próprio esforço.
Sabores que também cuidam da natureza
No Parque Sesc Serra Azul, em Rosário Oeste (MT), a conservação do Cerrado também passa pela cozinha, um espaço essencial para quem visita a unidade. É ali que trabalha a Leticia Chaves, atendente de copa e cozinha, cuja história com a natureza começou ainda na infância, quando vivia em uma chácara cercada por árvores frutíferas e uma área de reserva onde brincava com as irmãs. “Tenho isso muito vivo na memória. Era um lugar onde a gente podia andar e brincar em meio à natureza”, recorda.
Hoje, exercendo sua função em um Polo Socioambiental, ela afirma que o trabalho reforçou a responsabilidade de cuidar e dar exemplo a quem visita o Parque. Mesmo na cozinha, pequenas atitudes fazem parte desse compromisso, como a separação de resíduos orgânicos e recicláveis. “A gente faz a nossa parte todos os dias. São gestos simples, mas que fazem a diferença para a natureza”.
Para Letícia, o Cerrado também representa memória e responsabilidade com o futuro. “Se quisermos que nossos filhos e netos continuem contemplando essa beleza, precisamos cuidar e conservar”, diz. No dia a dia, ela destaca que dedicação e responsabilidade são essenciais. “Tudo o que preparo é com amor e carinho. Quando as pessoas elogiam, isso faz a gente sentir que vale a pena estar aqui todos os dias”.
Educação que planta futuro
No Complexo Educacional Sesc Pantanal, em Poconé, o vínculo entre conservação e educação aparece no cotidiano da professora Juliana Moraina Oliveira de Moraes. A relação dela com o ambiente natural também começou na infância, no sítio dos avós, entre banhos de rio e frutas colhidas direto do pé. Hoje, ela leva essa experiência para dentro da sala de aula. “Eu acredito muito no futuro que queremos deixar para essas crianças”, afirma.
Entre os projetos que desenvolve com os alunos está o incentivo à coleta seletiva e à separação de resíduos, em parceria com a cooperativa local, Cooponé. Além disso, há um símbolo, um ipê plantado por Juliana no espaço da escola, que ela costuma mostrar para as crianças. “Um dia eu posso vir a sair daqui, mas essa árvore vai continuar. É um legado que me orgulho em deixar”, finaliza.
Histórias como dessas quatro mulheres mostram que o trabalho socioambiental não se constrói apenas com grandes projetos e pesquisas, mas também com gestos cotidianos como ensinar uma criança a respeitar um inseto, plantar uma árvore com alunos ou adotar práticas simples que reduzem impactos ao meio ambiente.
Com Assessoria



