O tabuleiro político de Mato Grosso para 2026 ganhou um componente de “neutralidade forçada” nesta semana. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), em viagem a Brasília com o senador Wellington Fagundes (PL) e o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), deixou claro que não pretende, por enquanto, vestir a camisa de apenas um dos candidatos ao Governo do Estado. O motivo? Uma mistura de amizade pessoal e necessidade administrativa com o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
O Pedido de Compreensão
Em uma cena incomum nos bastidores de Brasília, Abilio declarou à cúpula do próprio partido que se encontra em uma “situação muito difícil”. O prefeito ressaltou que sua relação com Pivetta precede as atuais alianças e que, como gestor da capital, não pode se dar ao luxo de romper pontes com o Governo do Estado.
“Eu torço muito pelo sucesso dele [Pivetta], assim como torço pelo Wellington… não tenho como tomar partido agora”, afirmou Abilio de forma direta.
A “Paciência” do PL
Diferente do tom agressivo que costuma marcar as divisões partidárias, Wellington Fagundes adotou um discurso de acolhimento. Ciente de que Cuiabá é o maior colégio eleitoral do estado e que o Palácio Alencastro precisa de parcerias para entregar resultados — como as vistorias técnicas recentes na Policlínica do Pedra 90 e a instalação do Ganha Tempo — o senador admitiu que o partido terá “paciência”.
A estratégia de Wellington é clara: manter Abilio sob o guarda-chuva do PL, mesmo que ele não seja o “garoto propaganda” imediato de sua pré-candidatura, evitando que o prefeito migre ou declare apoio formal ao grupo de Mauro Mendes e Pivetta prematuramente.
A Rota Republicana
A aproximação entre Abilio e Pivetta não é apenas retórica. Além da agenda conjunta no bairro Pedra 90, os dois estiveram em São Paulo visitando o governador Tarcísio de Freitas, uma figura que transita bem entre o bolsonarismo de Abilio e o perfil técnico de Pivetta.
Para Abilio, o cálculo é lógico: o apoio político de Wellington é importante para o futuro, mas a parceria de Pivetta é essencial para o presente. Enquanto o asfalto e a saúde de Cuiabá dependerem do Tesouro Estadual, o prefeito continuará operando nesse “limbo” político, onde a amizade serve de escudo para o pragmatismo eleitoral.

