Com o alto endividamento da população, setores do comércio buscam alternativas para manter o fluxo de clientes e sustentar as vendas no início do ano, período tradicionalmente marcado por despesas obrigatórias como impostos, material escolar e faturas acumuladas do cartão de crédito. Estratégias comerciais mais elaboradas, ajustes no mix de produtos e atenção ao comportamento do consumidor têm sido fundamentais para atravessar esse momento de maior cautela financeira.
Em alguns segmentos, o próprio calendário favorece o desempenho. É o caso do ramo fitness, que costuma registrar alta procura em janeiro, impulsionada pelas resoluções de início de ano. Empresários do setor apostam na organização estratégica das lojas e na oferta de produtos alinhados à retomada das atividades físicas, priorizando ações que estimulem a fidelização e o consumo ao longo de todo o ano.
Já em áreas menos beneficiadas pela sazonalidade, como os setores elétrico, hidráulico e de iluminação, os comerciantes têm recorrido a combinações entre preços competitivos, condições facilitadas de pagamento e comunicação direcionada nas redes sociais. A divulgação de outlets e produtos de maior giro tem sido uma das principais apostas para atrair consumidores atentos a oportunidades e bom custo-benefício.
No comércio infantil, o comportamento do consumidor tende a ser mais estável ao longo do ano, o que permite um planejamento mais previsível. Ainda assim, lojistas destacam a importância de oferecer diferenciais no período pós-festas, seja por meio de promoções pontuais, condições especiais ou atendimento personalizado, fatores que contribuem para a conversão em vendas mesmo em meses mais desafiadores.
Apesar do cenário de cautela, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pela Fecomércio Mato Grosso, indicam crescimento do comércio nos meses de janeiro, mostrando que o consumidor segue ativo, embora mais seletivo. O setor registrou avanço de 5,6% em janeiro de 2024 e de 2,5% em janeiro de 2025, além de níveis considerados adequados de estoque para a maioria das empresas, o que garante maior capacidade de reação às oscilações do mercado.
Especialistas em vendas reforçam que o desafio atual não é apenas atrair o cliente para dentro da loja, mas transformar a visita em decisão de compra. Organização do espaço, exposição estratégica dos produtos, uso inteligente do estoque e foco no relacionamento são apontados como fatores decisivos. A lógica, segundo analistas, é oferecer valor e experiência, reduzindo a dependência exclusiva de descontos e fortalecendo a confiança do consumidor em um período de orçamento mais apertado.


