Foi um ano movimentado para a arte na maior cidade da América Latina. Em 2025, São Paulo recebeu grandes exposições, de Monet a Andy Warhol, mais uma edição de sua tradicional Bienal e dezenas de eventos em seus centros culturais. O principal museu da capital ganhou um prédio novo, enquanto o Brasil levou seus artistas para mostras fora do País.
Masp: novo prédio, ecologia e Monet
A inauguração do anexo do Masp (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), um prédio de 14 andares – 12 abertos ao público e 2 de área técnica – batizado de Pietro Maria Bardi, deu o que falar em março. O imóvel estava sendo reformado há seis anos e custou R$ 250 milhões, valor arrecadado a partir de doações.
Somado ao anexo, o Masp ampliou seu espaço com a concessão do vão livre. Com isso, o museu que é cartão-postal da cidade cresceu de 10.485 m² para 21.863 m². O novo prédio foi inaugurado com mostra Cinco ensaios sobre o MASP: Isaac Julien: Lina Bo Bardi – um maravilhoso emaranhado, Artes da África, Geometrias, Renoir e Histórias do MASP. As exposições ficaram em cartaz no museu até agosto.
O programa expositivo Histórias da Ecologia guiou o restante das atrações do MASP neste ano. A mostra que leva o nome do ciclo fica em cartaz até 1º de fevereiro – são obras que investigam como artistas do Brasil e do mundo respondem a tempos de crises climáticas, políticas e sociais.
O museu também recebeu mostras individuais de artistas contemporâneos, como Minerva Cuevas e André Taniki Yanomami (em cartaz até abril), mas o grande sucesso deste ano foi a grande exposição de Claude Monet (1840 – 1926), que se tornou a mais visitada da história da atração – foram mais de 440 mil visitantes, superando uma exposição da brasileira Tarsila do Amaral (1886 – 1973), que recebeu 402 mil visitantes em 2019.
A Ecologia de Monet apresentou 32 telas produzidas em diferentes fases da vida do pintor, mas que o colocam em diálogo com a questão climática – pauta recorrente do noticiário, mais ainda no ano em que o Brasil sediou a COP-30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025), em Belém (PA).
Grandes exposições
Outro grande destaque do ano foi Andy Warhol: Pop Art!, que levou mais de 300 mil visitantes ao Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB-FAAP). Foi a maior mostra sobre o artista e diretor americano já realizada fora dos Estados Unidos, com mais 600 obras vindas diretamente do The Andy Warhol Museum, em Pittsburgh, na Pensilvânia.
Já no IMS Paulista, a mostra Gordon Parks – A América Sou Eu (ainda em cartaz) fez uma bela retrospectiva com cerca de 200 imagens feitas pelo fotógrafo entre as décadas de 1940 e 1970. Também por lá, está em cartaz a mostra Fotografia Agnès Varda Cinema, que reúne a produção da cineasta e fotógrafa belga.
O Itaú Cultural abriu um novo espaço para exposições com obras de Tarsila do Amaral, Candido Portinari, Lygia Clark, entre outras, e apresentou ocupações sobre Ailton Krenak e Oswald de Andrade. O Farol Santander e o CCBB também destacaram a arte brasileira com mostras como Brasil: Arte Popular e Fullgás – Arte e Brasil nos anos 80, respectivamente.
O MIS (Museu da Imagem e do Som) foi palco de exposições celebradas ao longo de todo o ano. A música ganhou destaque com mostras para Ney Matogrosso, no início do ano, e Raul Seixas, entre julho e setembro. Até janeiro, o museu no Jardim Europa apresenta A Alma Humana, Você e o Universo de Jung, que mergulha nas ideias do psiquiatra suíço.
Além das experiências sensoriais como as propostas no MIS, as exposições imersivas continuaram em alta. Ao longo do ano, Leonardo Da Vinci, Julio Verne, Tim Burton, o Titanic e até a vida de Jesus Cristo foram alguns dos temas abordadas nas atrações. A realidade virtual também veio para ficar, seja como parte dessas exposições ou como experiências separadas.
Bienal de São Paulo e SP-Arte
Não dá para falar de arte em São Paulo sem mencionar a Bienal, que chegou a sua 36ª edição no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque do Ibirapuera. A exposição segue até o dia 11 de janeiro – neste ano, o tempo expositivo aumentou em quatro semanas em relação à última edição. A entrada é gratuita e livre para todas as idades.
O projeto curatorial, idealizado pelo camaronês Bonaventure Ndikung, tem como título Nem Todo Viandante Anda Estradas – Da Humanidade Como Prática, emprestado de Conceição Evaristo. A intenção é refletir sobre a humanidade como um exercício ativo, algo que todos devemos praticar todos os dias.
Os artistas convidados são advindos de locais permeados por rios, lagos e mares, ligados pela ideia de movimento e transformação. As obras da Bienal, algumas concedidas e outras produzidas para a mostra, são guiadas por essa noção de coletividade, com o objetivo de pensar sobre questões sociais, ambientes e políticas.
O evento, contudo, não passou ileso de polêmicas: no início de novembro, a Bienal cancelou de última hora um debate com a princesa Marie-Esmeralda, da Bélgica, e o fotógrafo e documentarista João Farkas. Segundo a Fundação Bienal de São Paulo, o cancelamento foi motivado por “preocupações com segurança” e uma decisão da curadoria, “dado o conflito entre o trágico passado colonial belga e os temas abordados pela exposição”.
Alguns meses antes, o Pavilhão da Bienal recebeu outro megaevento: a SP-Arte movimentou o mercado em abril e teve momentos marcantes. Um mural feito em 1969 por Emiliano Di Cavalcanti, avaliado em cerca de R$ 8 milhões, foi vendido durante o evento que é considerado a maior feira de arte moderna e contemporânea da América Latina.
A feira também registrou um episódio infeliz: uma visitante que usava uma cadeira motorizada perdeu o controle e colidiu com uma obra do artista Francisco Brennand (1927-2019), resultando na queda e destruição da peça.
De Brasil a Portugal e França
No ano em que o Museu do Louvre tomou conta de todas as manchetes sobre arte depois do roubo à atração parisiense, em outubro, um brasileiro teve destaque em outro museu da capital francesa. O artista paulistano Lucas Arruda, de 41 anos, uma das principais vozes da pintura contemporânea no Brasil, apresentou uma retrospectiva dos últimos 15 anos de sua carreira no Musée dOrsay.
O Brasil também foi destaque em mais de uma grande exposição em Portugal. A conexão entre a brasileira Adriana Varejão (1964) e a portuguesa Paula Rego (1935-2022) foi tema de Entre os Vossos Dentes, mostra que ocupou toda o espaço do Centro de Arte Moderna Gulbenkian, em Lisboa, entre abril e setembro. Varejão também apresentou obras em Nova York e Atenas.
Também na Fundação Calouste Gulbenkian, instituição privada que tem uma atuação importante nas artes em Portugal, foi aberta, em novembro, a exposição Complexo Brasil, a maior mostra já realizada sobre o País em território português. A atração levou trabalhos de artistas consagrados, como Candido Portinari e Antonio Volpi e artistas de contemporâneos em ascensão, como Gê Viana, Tiago SantAna e Maxwell Alexandre.
Já em outubro, a fotógrafa paulistana Helena Ramos, de 26 anos, tornou-se a primeira não-portuguesa a ganhar o Prêmio Novobanco Revelação, o mais tradicional da fotografia contemporânea em Portugal. Graças à premiação, um recorte do seu portfólio deu origem à exposição Helena Ramos: A Vida das Abelhas, que fica em cartaz até 5 de abril no Museu de Arte Contemporânea da Fundação de Serralves, no Porto.
O Brasil também levou a Lisboa uma exposição que passou por São Paulo e por Hamburgo, na Alemanha. A mostra Água Pantanal Fogo, que buscou ampliar a conscientização sobre as queimadas na região, ficou em cartaz de abril a julho no em Museu Nacional de História Natural e da Ciência de Portugal. A exposição reúne cerca de 80 imagens dos fotodocumentaristas Lalo de Almeida e Luciano Candisani e atualmente está em cartaz no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro.


