O homem que ateou fogo na própria esposa foi condenado a 35 anos de reclusão em regime fechado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Nobres (123 km de Cuiabá). O julgamento ocorreu nesta quinta-feira (27), sob a presidência do juiz Daniel Campos Silva de Siqueira e contou com a atuação do promotor de Justiça Willian Ogudo Ogama. A vítima, Tainara Raiane da Silva, 21 anos, morreu no Hospital Municipal de Cuiabá após 43 dias de internação devido às queimaduras que sofreu.
Segundo a sentença, o crime ocorreu dentro da residência onde Kauan Souza Gusmão amarrou a vítima com um cinto, jogou álcool sobre seu corpo e ateou fogo, provocando queimaduras em 88% da superfície corporal. A violência foi considerada absolutamente brutal e sem qualquer possibilidade de reação por parte de Tainara, que estava em período pós-parto.
O Conselho de Sentença reconheceu três qualificadoras: emprego de fogo, recurso que dificultou a defesa da vítima e crime cometido no período pós-parto. Também pesaram negativamente agravantes como a reincidência e o fato de o crime ter sido praticado contra a companheira. Já a pena recebeu atenuação pela confissão parcial e pela menoridade relativa, uma vez que o réu tinha menos de 21 anos à época dos fatos.
Após a aplicação das causas de aumento previstas no Código Penal, a pena chegou ao patamar de 35 anos, considerada adequada à brutalidade do crime e às circunstâncias judiciais desfavoráveis. O regime inicial será fechado, sem possibilidade de substituição por penas alternativas ou suspensão condicional. A execução da pena é imediata.
A captura de Kauan ocorreu meses após o crime, quando ele estava foragido. Sua localização só foi possível graças a denúncias da população. O agressor foi encontrado dentro de uma igreja no bairro Aeroporto e, para evitar a fuga, policiais interromperam o culto que estava em andamento, efetuando a prisão no local.



