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Ibovespa renova recorde e tem melhor mês desde agosto/24, quase a 160 mil pontos

O Ibovespa encerrou novembro em tom maior, não distante de arredondar marca histórica a 160 mil pontos durante a sessão, estendendo a sucessão de recordes iniciada ainda no fechamento de 27 de outubro, então um pouco abaixo dos 147 mil, e que se alongaria por 12 pregões até 11 de novembro. Após breve intervalo de consolidação em meados do mês, o ajuste de máximas foi retomado na quarta, quando o índice subiu 1,70%, e levado um pouco mais adiante nesta sexta, em sessão com giro em recuperação na retomada, em horário parcial, dos mercados nos Estados Unidos, que na quinta não operaram devido ao feriado de Ação de Graças.

Ao fim, com menos fôlego no ajuste de encerramento, assinalava alta de 0,45%, aos 159.072,13 pontos, que colocou o ganho acumulado no mês a 6,37%, no que foi seu melhor desempenho mensal desde o avanço de 6,54% em agosto de 2024. Nesta sexta-feira, 28, saiu de abertura aos 158.357,61 pontos, e oscilou para baixo, na mínima da sessão a 158.077,66. Tendo preservado a linha de 158 mil no piso do dia, buscou máxima intradia a 159.689,03 pontos, à tarde, em novo recorde histórico. No ano, o Ibovespa sobe agora 32,25%.

O giro nesta sexta foi a R$ 25,2 bilhões. Na semana, o Ibovespa colheu ganho de 2,78%, após perda de 1,88% no intervalo anterior que havia interrompido série de cinco ganhos semanais. No fechamento de outubro, no então nível inédito de 149,5 mil pontos, o Ibovespa, em dólar, estava em 27.793,98 pontos. Agora, com o índice da B3 de novo em patamar histórico no fim de novembro, chega na moeda americana a um nível próximo de 30 mil pontos, a 29.817,82, refletindo também a queda de quase 1% (-0,85%) do dólar no mês, hoje a R$ 5,3348.

Apesar de estar acima do pico que antecedeu a pandemia, de 29.400 pontos em janeiro de 2020, o Ibovespa ainda está longe do topo registrado em julho de 2008. Naquela época, convertido para a moeda americana, quase encostou nos 45 mil pontos, com o dólar girando então em torno de R$ 2,20. Para que o Ibovespa atinja valores similares, em dólares, precisaria se aproximar dos 240 mil em termos nominais – algo ainda fora do horizonte próximo.

De qualquer forma, nesse contexto de máximas nominais renovadas, o mercado ajusta a expectativa para o desempenho das ações no curtíssimo prazo, mostra o Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta. Entre os participantes do levantamento semanal, a previsão de queda para o Ibovespa na próxima semana saltou de 37,50% na edição anterior para 55,56%. Ao mesmo tempo, a expectativa de alta caiu de 37,50% para 22,22%, enquanto a de estabilidade oscilou de 25,00% para 22,22%.

Nesta sexta, as novas marcas históricas intradia e de fechamento foram alcançadas a despeito do desempenho de Petrobras, com ambas as ações da estatal em baixa após o Plano de Negócios 2026-2030, divulgado na noite anterior, com queda na projeção de Capex para o intervalo. No encerramento da sessão, a ação ON mostrava perda de 2,45% e a PN, de 1,88%. Vale ON, por outro lado, subiu 1,61% e os ganhos entre os maiores bancos chegaram a 2,28% em Itaú PN, o papel de maior peso do setor financeiro, o principal segmento do Ibovespa.

Na ponta ganhadora do índice na sessão, Natura (+4,54%), MRV (+3,33%) e Yduqs (+2,79%). No lado oposto, Assaí (-6,06%), Hapvida (-6,00%) e C&A (-5,03%).

“Ibovespa nos incríveis 159 mil pontos mesmo com avanço da curva de juros futuros na sessão, impulsionado pelas ações de bancos e pelo setor de commodities à exceção de Petrobras, bem perto da marca psicológica inédita de 160 mil pontos”, diz Bruna Centeno, economista e advisor na Blue3 Investimentos. “O planejamento da Petrobras veio positivo, com alguns cortes moderados nos investimentos, mas há receios de dividendos abaixo do esperado, o que afetou o desempenho das ações.”

“Apesar de ter vindo de uma forma geral dentro do consenso do mercado, olhando no detalhe o plano estratégico, o mercado esperava também alguns cortes no Capex de curto prazo. Então, para 2026, por exemplo, o mercado já esperava algo ali próximo de US$ 1 bilhão de corte. E os cortes mais relevantes vieram a longo prazo”, observa Gabriel Mota de Souza, sócio da Manchester Investimentos.

Ele acrescenta que “o curto prazo tem preocupado alguns investidores, exatamente porque se passa por um momento em que o Brent a referência global de petróleo está com preço muito baixo”, em torno de US$ 63 por barril nos contratos futuros mais líquidos.

Dólar

O dólar frente ao real encerrou o último pregão de novembro em queda, devolvendo parte da alta da véspera. A divisa caiu 0,32%, cotada a R$ 5,3348, após oscilar entre mínima de R$ 5,3245 e máxima de R$ 5,3570, em sessão de liquidez reduzida pela combinação do pregão mais curto em Nova York, na ressaca do feriado de Ação de Graças, com a disputa pela última taxa Ptax de novembro e a rolagem de contratos futuros.

Como já se observava pela manhã, o real acompanhou o bom desempenho de pares emergentes, em meio à expectativa crescente de corte de juros pelo Federal Reserve em dezembro e ao enfraquecimento do índice DXY. A melhora do sentimento global e a busca por ativos de maior risco favoreceram moedas de países como Brasil, Colômbia e China, enquanto o fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira, com o Ibovespa batendo recorde, reforçou o suporte ao real.

Para Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, o movimento combina correção técnica e o impacto do cenário externo. “Ontem o dólar subiu um pouco e nesta sexta-feira, 28, vimos uma desaceleração, muito ligada a fatores técnicos de fechamento de mês e à correção dessas altas recentes”, afirmou.

Para Anilson Moretti, head de câmbio da HCI Advisors, o pregão também foi marcado por forte movimentação ligada à rolagem de contratos futuros e à formação da Ptax, em um ambiente de maior fluxo para a Bolsa.

Moretti lembra que o Caged abaixo do esperado, a tramitação de incentivos para dividendos, a pauta fiscal em discussão no governo e no Congresso e a decisão da Moodys de manter o rating do Brasil estável observados nesta semana também compõem o pano de fundo do mercado de câmbio. Na sua avaliação, a combinação de fluxo, juros elevados e quadro externo mais benigno abre espaço para o dólar buscar o nível de R$ 5,30 e até R$ 5,25 em dezembro.

Na mesma linha, o especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, destaca que o último pregão de novembro foi marcado por melhora do sentimento global e maior apetite por risco, tanto no Brasil quanto no exterior. “O bom desempenho das moedas emergentes ao longo da semana reforçou o movimento favorável ao real”, afirmou, por meio de nota.

Juros

Os juros futuros negociados na B3 terminaram o pregão desta sexta-feira, 28, em alta, dia em que dados domésticos de desemprego abaixo do esperado foram o principal condutor dos negócios.

Após a divulgação, na abertura, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do IBGE, as taxas curtas e intermediárias chegaram a registrar máximas intradia. O levantamento, embora não tenha mudado as apostas para cortes da Selic, mostrou recuo adicional da desocupação em outubro, reforçando a leitura de que o mercado de trabalho segue resiliente. Segundo Gean Lima, gestor de portfólio da Connex Capital, a curva a termo segue apontando cerca de 73% de chance de redução de 0,25 ponto da Selic em janeiro.

Também houve ascensão da curva de títulos americanos na sessão, que operaram em horário reduzido na volta do feriado do Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, celebrado ontem. Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,537% no ajuste anterior a 13,59%. O DI para janeiro de 2029 avançou de 12,71% no ajuste precedente para 12,74%. O DI para janeiro de 2031 oscilou a 12,990%, vindo de 12,996% no ajuste.

A taxa de desemprego no País caiu de 5,6% no trimestre móvel terminado em setembro para 5,4% em igual medida de outubro – piso das estimativas do Projeções Broadcast,sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, e novo recorde histórico de baixa da série do IBGE, iniciada em 2012. Segundo cálculos com ajuste sazonal do ASA, a desocupação ficou estável na margem, em 5,8%. Para o economista Leonardo Costa, os números reforçam que o mercado de trabalho continua em níveis muito apertados, mas há sinais incipientes de moderação, como a terceira queda consecutiva da população ocupada, também na série dessazonalizada.

Estrategista da Toro Investimentos, João Freitas ressalva que a sessão mais curta nos EUA retirou liquidez dos mercados de renda fixa locais. Feita essa ponderação, Freitas avalia que não só a Pnad mais forte que o previsto, mas também uma correção em relação ao otimismo observado nas últimas duas semanas explica a alta dos DIs nesta sexta.

“O mercado voltou a apostar em corte de juros pelo Fed em dezembro, o que abre caminho para o BC ceder aqui também, por aliviar o câmbio”, explica. Já por aqui, a despeito do desemprego nas mínimas históricas, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de outubro frustrou as expectativas, ao indicar geração de 85 mil vagas formais, acrescenta. “A atividade está desacelerando e isso reforça o movimento de antecipação dos cortes, assim como o mercado externo.”

No cômputo semanal, apesar da alta dos juros futuros de hoje e de falas avaliadas como duras do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento na quinta, a curva futura teve deslocamento para baixo, com perda de inclinação. Em relação a níveis de fechamento da sexta-feira anterior, a taxa projetada para janeiro de 2027 cedeu 2,5 pontos-base, enquanto os DIs para janeiro de 2029 e do primeiro mês de 2031 caíram 12,5 pontos-base e 19,5 pontos-base, respectivamente.

“Os dados divulgados, assim como o comportamento dos Treasuries na semana, contribuíram para o movimento”, aponta a equipe econômica do Santander, destacando o IPCA-15 de novembro e o Caged. “No geral, vemos um cenário de atividade econômica compatível com uma perda gradual de ritmo ao longo do segundo semestre”, afirmam os economistas.

Em novembro, também houve recuo da curva e desinclinação. Ante as taxas de fim de outubro, houve redução de 25,5 pontos-base no DI para janeiro de 2027; de 33,5 pontos-base no DI para janeiro de 2029, e de 37 pontos-base no DI para janeiro de 2031.

“Toda a curva fechou, refletindo a visão de que o BC vai começar a cortar, assim como a redução pelo Fed em dezembro”, diz Freitas, da Toro, para quem nem a Pnad, nem o discurso conservador de Galípolo diminuíram a probabilidade, ainda preponderante, de queda do juro básico em janeiro.

Estadão Conteudo

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