Nasci em um lar protestante, onde aprendi a ler a Bíblia, embora não a entendesse
muito. O tempo consumiu minha crença e ruiu minha incipiente fé, hoje descreio dos
valores sagrados que as religiões (todas elas) pregam. Mas uma coisa o tempo não
desbotou nem os anos toldaram: os valores filosóficos, não os sagrados, que o
cristianismo me ensinou. Estes, entranhados no meu ser, teimam em me acompanhar
mesmo agora que sou velho.
Acostumado aos comportamentos austeros e vocabulário comedido dos “crentes” com
quem convivi, surpreendo com os despreparos de alguns líderes evangélicos que
deveriam pregar o amor, mas teimam em espalhar o ódio, a contenda e a discórdia.
Veja a fala do maior líder religioso atual, Silas Malafaia dirigida a Jair Bolsonaro,
falando sobre seu filho Eduardo:
“Esse seu filho é um babaca. Inexperiente… um estúpido de marca maior… só não faço
um vídeo e arrebento com ele por consideração a você”.
Vendo e ouvindo estes arrogantes líderes, busquei na Bíblia os valores que ela aponta
como necessários ao cristão e principalmente aos seus líderes. Paulo e Pedro
(apóstolos de Cristo) destacam alguns atributos que seriam os “Frutos do Espírito”.
Dos “Homens de Deus” emanariam paz, mansidão e temperança. Ainda, os eleitos
mostrariam bondade, humildade, modéstia, seriam pacíficos e não iracundos.
Será que estas qualidades estão presentes no histriônico e verborrágico Pastor Silas
Malafaia? Alguém pode achar normal o texto acima publicado pelo ungido pastor?
Não sei o que o ex-presidente respondeu, mas a julgar pela resposta do filho Eduardo,
o ofendido (“estamos juntos, pastor”), parece que estão todos dominados pelo
estranho “Homem de Deus”.
A coisa tá feia: enquanto a direita vai se desmoralizando com falas como esta, oferece
para a esquerda o discurso que ela tinha perdido.
Do seu lado a esquerda, o atual presidente e seu entorno dedicam-se a produzir
slogans para conquistar votos.
Em vez de buscar formas de equilibrar as contas públicas, gastam o tempo em
reuniões improdutivas para gerar divulgação na mídia dos ministros, ridiculamente
enfeitados com os bonés azuis.
Para o povo, passam a imagem de que está tudo bem: pequeno desemprego, inflação
baixa, PIB razoável. Mas na realidade estão gastando a descoberto para manter a ideia
de prosperidade.
Estão agindo como aquela família que, usando o cartão de crédito e o cheque especial,
gasta o que não tem e fica feliz enquanto dura a extravagância. Mas a farra tem vida
curta, quando a conta chegar verá que está irremediavelmente endividada.
O governo do PT, para manter a ideia de prosperidade, vive distribuindo benefícios
insustentáveis. Isso exige emissão de moeda ou leva a um endividamento, pegando
dinheiro do mercado a juros altíssimos.
Passou da hora de sairmos dessa polarização nefasta, onde de um lado temos a opção
de votar em um filho do Bolsonaro (posto que este está inelegível) e de outro,
continuarmos com o Lula que só pensa em slogans nacionalistas, gastar o dinheiro que
não tem e de mostrar valentia para intimidar o Pavão Americano.
Renato de Paiva Pereira