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Ibovespa cai 0,95% em correção nas ações de bancos; dólar tem alta moderada e vai a R$ 5,72

O Ibovespa desceu um degrau após ter permanecido na casa de 128 mil pontos nas três sessões anteriores, hoje em baixa de 0,95%, aos 127.308,80, com giro a R$ 19,9 bilhões, tendo subido ontem a quase R$ 23 bilhões. Nesta quarta-feira, o índice da B3 oscilou dos 127.028,24 até os 128.528,28 pontos, correspondendo a máxima do dia ao nível de abertura. Na semana, o Ibovespa oscila para baixo (-0,71%), ainda acumulando alta de 0,93% no mês. No ano, sobe 5,84%.

Petrobras, que resistia até o meio da tarde, passou a operar sem direção única, mas conseguiu fechar em alta de 0,40% na ON e de 0,21% na PN. Vale ON perdeu 0,09%, limitando o ajuste no encerramento, enquanto a correção entre os grandes bancos ficou entre -0,93% (Itaú PN) e -2,00% (Banco do Brasil ON). Em paralelo, o dólar à vista fechou a sessão em alta de 0,66%, a R$ 5,7267.

Na ponta ganhadora do Ibovespa, CPFL (+1,72%), Caixa Seguridade (+1,06%), SLC (+0,98%), Embraer (+0,66%) e Suzano (+0,64%) – com as ações da fabricante de aviões e da empresa do setor de papel e celulose sendo beneficiadas pelo avanço do dólar frente ao real, com exposição a receitas derivadas de exportações. No lado oposto, CVC (-9,31%), LWSA (-8,18%), Pão de Açúcar (-7,17%), Vamos (-5,27%) e Localiza (-4,84%) – empresas em geral sensíveis a juros e correlacionadas ao ciclo doméstico, que refletiram, hoje, o “repique de alta” na curva do DI, aponta Anderson Silva, head de renda variável e sócio da GT Capital.

No quadro mais amplo, ele nota “um movimento de correção natural no Ibovespa, após o início do atual movimento altista de curto prazo, que começou em 14 de janeiro, em uma região importante para o mercado, na faixa dos 120 mil pontos”. E destaca a boa temporada de resultados trimestrais de empresas listadas na B3, com apenas “algumas exceções” a mostrar dissonância.

“Dia difícil para o mercado brasileiro, de correção natural desde cedo para os ativos locais. E com a ata do Fed trazendo poucas novidades à tarde, com tendência de manutenção da pausa nos cortes de juros americanos por mais tempo conforme as falas mais recentes de autoridades do BC dos Estados Unidos”, diz Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.

O mercado segue atento aos sinais de inflação por lá, já que uma eventual retomada do ciclo de alta de juros americanos poderia impactar diretamente os mercados emergentes, observa Silva, da GT Capital. Tal indefinição, segundo ele, em parte explica o fluxo de capital ainda “tímido” para a Bolsa brasileira – apesar da “luz no fim do túnel”, ante a chance de encerramento próximo do ciclo de alta da Selic. “É o momento em que os investidores mais propensos a risco começam a buscar exposição à renda variável”, acrescenta.

“Dia de realização por aqui, destoando de Nova York, em especial o setor financeiro na B3, em ajuste mais acentuado em sessão sem muitos gatilhos ou notícias específicas para a correção, após a recente recuperação”, diz Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos. Em Nova York, o fechamento foi em variação discreta, entre +0,07% (Nasdaq) e +0,24% (S&P 500).

Na ata da mais recente reunião de política monetária do Federal Reserve, divulgada nesta tarde, a instituição apontou que os indicadores recentes sugerem que a atividade econômica dos Estados Unidos segue em “ritmo sólido” – e reforçou que a taxa de desemprego se manteve baixa, o que resultou em recuo na trajetória dos juros longos americanos a partir da ata, na sessão.

“A mensagem principal que se extrai da ata é a preocupação renovada com a dinâmica inflacionária. Além de reafirmar a estabilidade da inflação acima da meta nos últimos meses, atenta para a assimetria altista no balanço de riscos e, pela primeira vez, alerta para os potenciais impactos das políticas comerciais e imigratórias do novo governo”, avalia Danilo Igliori, economista-chefe da Nomad.

Dólar

O dólar se firmou em terreno positivo ao longo da tarde e encerrou a sessão desta quarta-feira, 19, em alta moderada, acima da linha de R$ 5,72. Segundo operadores, o fortalecimento da moeda americana no exterior abriu espaço para ajustes no mercado doméstico, com realização de lucros após o rali recente do real.

Evento mais aguardado do dia, a ata do Fed reforçou a mensagem passada nos últimos dias por dirigentes do Banco Central americano: não há pressa em retomar os cortes de juros. A política monetária permanece em campo restritivo e qualquer alívio depende de desaceleração da inflação, que segue em níveis elevados. O documento mostra que o Fed adota uma “postura cautelosa” em razão do “alto grau de incerteza” sobre a trajetória da economia.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY desacelerou um pouco o ritmo de alta após a divulgação da ata, afastando da máxima aos 107,381 para trabalhar ao redor dos 107,190 pontos. As taxas dos Treasuries longos passaram a recuar e as bolsas em Nova York ganharam fôlego.

A despeito de certo alívio no exterior, o dólar ganhou um pouco de força adicional e tocou o nível de R$ 5,72, em conjunto com mínimas do Ibovespa. No fim do dia, o dólar à vista subia 0,66%, a R$ 5,7267. Em fevereiro, a moeda americana acumula queda de 1,88%, após ter recuado 5,56% em janeiro.

À tarde, o Banco Central informou que o fluxo cambial total em fevereiro, até o dia 14, está negativo em US$ 2,335 bilhões, com saídas líquidas de US$ 1,628 bilhão pelo canal financeiro e de US$ 707 milhões do lado comercial.

Analistas ponderam que a recuperação da moeda brasileira em ambiente de fluxo negativo está relacionada ao desmonte mais agressivo de posições compradas em dólar em derivativos cambiais por parte de investidores estrangeiros.

Apesar do tropeço hoje, o real permanece como a segunda moeda de melhor desempenho no ano, entre as principais divisas globais, atrás apenas do rublo russo. Pares latino-americanos do real, como os pesos colombiano e chileno, também se destacam neste ano.

O diretor de Pesquisa Econômica do Banco Pine, Cristiano Oliveira, observa que, embora se destaque em 2025, o real ainda apresenta uma desvalorização de mais de cerca de 13% em relação ao dólar nos últimos doze meses. Isso coloca a moeda brasileira entre as cinco piores moedas no período, grupo que também conta com o peso mexicano.

“Mantemos a visão positiva para o real. Acreditamos que moeda tende a ser beneficiada pelos termos de troca bastante favoráveis bem como pelo diferencial de taxa de juros”, afirma Oliveira.

Estudo do Bradesco divulgado à tarde afirma que pouco mais de 80% da valorização do real no ano se deu em razão de fatores domésticos, em especial a redução do CDS de 5 anos do Brasil, uma medida de risco-país.

Embora fundamentos como termos de troca e diferencial de juros sugiram espaço para apreciação do real, o banco ressalta que existem “diversos riscos no horizonte” que impedem “uma aposta mais convicta para a taxa de câmbio”.

Além das dúvidas sobre a elevação de tarifas de importação por Donald Trump, fato que pode levar a episódios de aversão ao risco, há questões domésticas que podem jogar contra o real, como a tramitação nos próximos meses das propostas de compensações para desoneração do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.

Analistas atribuíram parte dos ganhos recentes do real a uma série de sinais de queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em especial a pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira, 14. A leitura é que um aumento das chances de vitória de uma candidatura à direita no espectro político, em tese mais comprometida com a austeridade fiscal, levou a uma redução dos prêmios de risco.

Operadores não viram hoje impacto relevante na formação da taxa de câmbio da apresentação de denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de estado.

Juros

Os juros futuros longos aceleraram alta no período da tarde, pressionados pela expectativa do mercado de que o Tesouro oferte um lote expressivo de títulos prefixados no leilão de quinta-feira. Operadores também mencionam espaço para realização, respaldado no dólar no nível de R$ 5,72 e considerando que a curva vinha perdendo prêmio de risco principalmente nos contratos a partir de 2029. Já o vértice curto fechou perto da estabilidade.

A taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2026 fechou em 14,685%, de 14,683% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2027 subiu a 14,685%, de 14,564%, e o para janeiro de 2029 avançou para 14,480%, de 14,296% ontem no ajuste.

Considerando que o Tesouro conseguiu vender integralmente os 5 milhões de Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B) ofertados no leilão de terça-feira, a expectativa do mercado é de que a autoridade novamente coloque um lote expressivo para o leilão de prefixados amanhã. “O mercado já puxa o DI hoje. Quem tem posição aplicada no DI acaba ‘tirando o pé’ ao saber que o Tesouro tem feito leilões grandes, e isso causa uma alta nas taxas”, afirma o estrategista Tiago Castro, da Cambirela.

O Tesouro fará leilão de LTN para os vencimentos de 1º/10/2025, 1º/4/2027, 1º/1/2029 e 1º/1/2032 e de NTN-F para 1º/1/2031 e 1º/1/2035 amanhã.

Destaque da agenda escassa desta quarta-feira, a ata do Federal Reserve (Fed) não trouxe novidades e é “até um pouco antiga, pensando que houve uma quantidade de informações novas grande, por exemplo tarifas, vindo dos EUA desde a última reunião”, comenta o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni. Ainda assim, ele pondera que há tendência de que os juros americanos fiquem altos por mais tempo, o que “pressiona economias emergentes em termos de risco”.

Após a ata, a ferramenta FedWatch do CME Group mostra que o mercado reforçou a expectativa de corte de juros de apenas 25 pontos-base pelo Fed em 2025.

Já o estrategista da Cambirela comenta ainda que há um pouco de “tensão política, mas que corresponde a só uns 5% da movimentação dos mercados hoje”, em referência à denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, com inelegibilidade.

Segundo o Diretor e Practice Head para Brasil na Eurasia Group, Silvio Cascione, ainda é precipitado o mercado financeiro fazer “apostas com convicção” para as próximas eleições.

Estadão Conteudo

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