O promotor Domingos Sávio disse nesta quarta-feira (2) que o cabo da PM, Gerson Corrêa, poderá ser investigado por dano ao patrimônio público por extravio da placa usada na operação de interceptações telefônicas irregulares. Ele aponta que o depoimento do cabo sustenta a proposta de ação para o caso.
“Pela dinâmica do que nós apuramos é possível que essa placa de lá [central de grampos] foi aquela cedida pelo Ministério Público em 2010 e Gerson confessa que [a] destruiu, então ele destruiu um bem público”.
O trânsito desconhecido da placa levou à abertura de sindicância pelo Naco (Núcleo de Ações de Competência Originária) para investigar a ligação do Ministério Público com as operações da Polícia Militar. A placa foi cedida pelo MP à Secretaria de Estado de Segurança (Sesp), em 2010, a pedido do ex-procurador-geral Paulo Prado, na época, coordenador do Gaeco (Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado). O promotor Domingos Sávio cogita que, inicialmente, a transferência serviria para instalar serviço de escutas na Sesp.
O cabo Gerson apresentou duas versões sobre a entrega. Primeiro de que o então coordenador Paulo Prado teria entregado a placa diretamente à Sesp e, em novo depoimento, de que tinha sido repassada diretamente ao escritório da central dos grampos.
Quanto a paradeiro atual, ele disse que o objeto foi jogado em rio após fechamento da central, que começou a operar em 2014. “Não encontramos nenhum ofício no Ministério Público de devolução dessas placas. Certamente, o Gerson também poderá responder esse crime de dano ao patrimônio público”.
O promotor diz não haver rastros que liguem o Ministério Público à montagem da central de grampos telefônicos comandada por membros da Polícia Militar. Segundo ele, a investigação feita sobre a cessão das placas à Sesp não apontam para a relação entre saída de equipamento e criação da central.
{relacionadas}



