Os indígenas são os povos originários do Brasil e ainda hoje, em 2019, sofrem diversos tipos de preconceitos, além do estereotipo que carregam. Para mudar esse cenário, profissionais da educação tem discutido formas de incluir a temática nas escolas. Esse foi um tema abordado pelo Seminário “Educação Étnico-Racial: Perspectiva Inclusiva, Diversificada e Intercultural”, promovido pela prefeitura de Cuiabá, na última semana.
Felix Adugoenau é da etnia Bororo e professor mestre em educação pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Na conferência “Inclusão, Diversidade e Pluralidade Cultural: novos olhares, novas práticas e narrativas indígenas”, do seminário, o início de sua fala explica que entre os sinônimos de indígenas no Brasil estão as palavras infanticidas, selvagens, estorvos, entre outros.
Ao Circuito Mato Grosso, Adugoenau explica que no Estado há pelo menos 43 povos indígenas e que há uma grande diferença entre cada um deles. São tradições, línguas, organizações, crenças e modos de ver e se relacionar com o mundo que muitas vezes não se assemelham.
“As pessoas querem dizer que todos são iguais. Elas fazem falas equivocadas, carregadas de preconceitos que vem desde a época colonial. E as escolas contribuíram com isso. Não há um reconhecimento dos saberes e conhecimentos indígenas. Apenas a educação consegue mudar isso”, conta o professor.
Ele defende que esse cenário social só deve começar a mudar quando as escolas melhorarem a abordagem da temática indígena, para que de fato a história e a cultura desses povos possam ser conhecidas e que as próximas gerações não disseminem a desinformação e o preconceito.
Sancionada em 2008, há no Brasil a Lei 11.645 que obriga todas as escolas do território nacional aplicar em seu calendário escolar o estudo e a cultura afro-brasileira e indígena. Todavia, Felix Adogoenau diz que mal se percebe que isso vem ocorrendo nas escolas de Cuiabá.
“O conteúdo deve ser inserido no contexto escolar e trabalhado no currículo ao longo do ano letivo. Não é só fazer o dia do índio, que pintam as crianças, que é um estereótipo, ou cantar música da Xuxa. Não é isso que a gente quer. Isso tem que acabar”.
O professor defende que é necessário um diálogo entre os indígenas e os não indígenas para que a humanização possa acontecer. E que haja um educação que reconheça a história dos povos e aborde da melhor forma, criando uma inclusão sem preconceitos e estereótipos.



